segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Sim! Aqui está o túmulo de São Paulo Apóstolo ! Testes confirmam

Túmulo de São Paulo, San Paolo fuori le mura, Roma
Altar sob o qual está enterrado São Paulo em Roma
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






No ano do segundo milênio do nascimento do Apóstolo das Gentes, o grande São Paulo, ficou confirmada a localização do túmulo do apóstolo martirizado em Roma.

Os restos de São Paulo foram venerados continuadamente durante séculos sob o altar papal da basílica de São Paulo extramuros (San Paolo fuori le mura, Roma).

Seu martírio ocorreu, porém, no local da atual abadia das Três Fontes.

Em tempos pagãos, nesse local havia um pântano. Quando os imperadores queriam fazer “desaparecer” um cristão sem chamar a atenção, o levavam lá para martirizá-lo.

São Paulo morreu decapitado. Sua cabeça foi posta sobre uma coluna e na hora tremenda do martírio caiu dando três tombos. No local de cada tombo abriu-se uma fonte.

Na Idade Média foi erigida uma abadia beneditina que existe até hoje, sendo visitada pelos peregrinos. É a Abbazia delle Tre Fontane.

Na Renascença foi erigida riquíssima igreja sobre as três fontes. Há um magnífico altar sobre cada uma delas. (foto embaixo)

Na abadia das Três Fontes foram construídos três altares sobre os pontos onde rolou a cabeça do mártir e brotaram três fontes.
Na abadia das Três Fontes foram construídos três altares
sobre os pontos onde rolou a cabeça do mártir e brotaram três fontes.
Poucos viajantes e peregrinos sabem, mas quando eles vão do aeroporto de Roma para a cidade, passam quase ao lado deste famoso local.

A piedosa devoção ao túmulo do Apóstolo Paulo, instalado sob o altar mor da basílica de San Paolo fuori le mura, atraiu multidões de peregrinos.

Nos tempos de fé ninguém fazia muita questão de conferições ou confirmações científicas da tradição oral transmitida de geração em geração.

O bom senso e a evidência dos testemunhos confirmavam a veracidade do fato.

Mas, na nossa época espalha-se, por vezes, uma ojeriza contra a tradição, sobre tudo quando é piedosa, como se fosse sinônimo de superstição carente de fundamento histórico.

Agora, neste segundo milênio do nascimento do grande Santo, as conferições foram feitas.

Os estudos e análises começaram em 2007.

Túmulo de São Paulo, San Paolo fuori le mura, Roma
Fiéis rezando e redigindo pedidos junto ao túmulo de São Paulo Apóstolo
Desfazendo toda dúvida, o sarcófago foi localizado onde sempre se acreditou estar, inviolado durante muitos séculos.

Os peritos perfuraram o túmulo e introduziram uma sonda especial. A sonda reportou a existência de um riquíssimo tecido de linho cor púrpura, recoberto de ouro e mais um pano azul com filamentos de linho.

A sonda verificou também a presencia de grãos de incenso vermelho.

Pequeníssimos fragmentos ósseos de ali extraídos passaram pelo teste do carbono 14. Este foi feito por especialistas que não conheciam a procedência das amostras. Eles concluíram pertencer a uma pessoa que viveu entre os séculos I e II da era cristã.

Todos estes dados foram feitos públicos pelo próprio Papa Bento XVI, então reinante.

Aos olhos dos especialistas estes indícios concordantes com a tradição inconteste de muitos séculos confortam a ideia de se tratarem dos restos mortais do Apóstolo das Gentes. Pode se esperar ainda novos estudos e análises.


Vídeo: Sim é o túmulo do São Paulo Apóstolo ! Testes confirmam




Sobre São Paulo veja também:






segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Milagres de Lourdes: exemplo de cooperação harmoniosa
entre a Igreja e a ciência

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Um dos pontos mais delicados nas relações entre as ciências naturais e o mundo sobrenatural diz respeito ao milagre.

Tal vez em nenhuma parte do mundo este problema é tão central quanto no santuário de Lourdes.

O santuário recebeu mais de 300 milhões de peregrinos desde 1848. Destes, 20 milhões peregrinaram oficialmente enquanto doentes.

Um número infindo garante ter sido curado. Porém a maioria não abre o processo médico que poderá constatar a cura.

Dos que abriram processo, em 7.200 casos catalogados a medicina reconheceu que a cura era inexplicável à luz dos conhecimentos da época.

Desses 7.200 casos, apenas 67 foram proclamados oficialmente como milagres pela Igreja.

Esses 7.200 casos conformam um dos mais impressionantes conjuntos documentais em que a ciência confirma a Igreja.

Vejamos apenas um dos casos oficialmente proclamados pela Igreja: o de Jeanne Fretel.

A matéria foi reproduzida do blog “Lourdes e suas aparições” que traz informação seleta a abundante sobre esse santuário e os milagres ali operados.

Jeanne Fretel, nascida a 27 de maio de 1914 na Bretanha, teve uma infância sofrida: rubéola, escarlatina, difteria etc.

Em janeiro de 1938, quando conta vinte e quatro anos, é operada de apendicite no Hôtel-Dieu em Rennes. Depois disto, passará dez anos no hospital, praticamente sem interrupções. Primeiro tem que operar um quisto tuberculoso nos ovários, depois, uma peritonite tuberculosa que a acometeu, logo seguida por uma fístula estercoral.

É somente no fim da guerra que sai, finalmente, do hospital, porém aparece uma erisipela, em seguida um hallux valgus bilateral, finalmente uma osteíte do maxilar superior, que não lhe deixou mais do que três dentes na arcada superior e seis na inferior.

A 3 de dezembro de 1946, dá entrada no hospital de Pontchaillou, em Rennes, onde já estivera internada durante algum tempo após a guerra. Desta feita, diz ela, é “para morrer lá”.

Está sempre acamada e todas as noites a febre atinge os 39° 5. Tem o abdômen inchado, distendido, terrivelmente dolorido: faz-se necessário uma aplicação diária de seis centigramas de morfina. Apesar de se ter submetido a um prolongado tratamento de estreptomicina, cuja descoberta era recente, o estado de Jeanne Fretel não apresenta melhoras, segundo o demonstra este atestado médico redigido pelo Dr. Pellé:

“De agosto de 1948 a outubro de 1948, a enferma mostra-se cada vez mais cansada: só consegue ingerir pequenas quantidades de líquido. Surgem sinais meningíticos. Um deles é o ventre, volumoso e dolorido. Há um escoamento abundante de pus com as fezes, bem como nos vômitos, acompanhado de sangue negro. Os desfalecimentos cardíacos são frequentes e colocam em perigo a vida da paciente. Toda esperança parece estar perdida.”

Pela terceira vez em cinco anos, a 20 de setembro de 1948, a doente recebe a extrema-unção. A temperatura oscila todos os dias entre 40° à noite e 36° pela manhã. As aplicações de morfina são feitas de três a quatro injeções diárias de dois centigramas cada uma: “O simples esforço para sentar-se na cama já lhe é quase impossível”. Deixa-a extenuada.

E, no entanto, é neste estado que empreende a peregrinação a Lourdes, no dia 4 de outubro de 1948, levando consigo o seguinte atestado do Dr. Pellé:
“Peritonite tuberculosa. A enferma foi submetida a sete intervenções cirúrgicas abdominais a partir de 1938. Há três anos encontra-se em completo repouso, alimenta-se muito pouco e as dores no ventre obrigam-na a permanecer quase que totalmente imóvel”

Ao ser levada a Lourdes, está semiconsciente, sempre acometida por vômitos que a impedem de alimentar-se e dormir. Na sexta-feira, 8 de outubro, levam-na muito cedo, às 7h30, para assistir a missa dos doentes no altar de Santa Bernadette.

O padre que oficia a cerimônia, assustado e constrangido com a presença dessa doente dominada pelas náuseas, hesita em lhe administrar a comunhão. O maqueiro que carrega Jeanne FreteI insiste. E assim a enferma recebe a hóstia...
“Foi então ‒ contará ela mesma mais tarde ‒ que comecei a perceber que estava melhor e que me achava em Lourdes. Perguntaram pela minha saúde. Respondi que me sentia outra! Meu ventre continuava duro e inchado, mas já não padecia nenhuma dor. Deram-me uma xícara de café com leite que tomei com apetite e prazer.

“Após a missa, levaram-me até a gruta, sempre carregada na maca. Chegando ali, ao cabo de alguns minutos, tive a impressão que uma pessoa me amparava sob as axilas para me ajudar a sentar. E vi-me sentada. Virei-me a fim de ver quem me havia auxiliado, porém não vi ninguém. Tão logo me sentei, tive a sensação de que as mesmas mãos que me tinham ajudado a sentar seguravam as minhas para colocá-las sobre minha barriga.

“Perguntei a mim mesma o que estava me acontecendo: se estava curada ou saindo de um sonho. Notei que meu ventre tinha voltado ao normal. E então senti uma fome fora do comum.”

Volta para o hospital ainda na maca. Pede algo para comer. O Dr. Guégan examina-a e dá-lhe autorização para alimentar-se. Faz uma refeição frugal: um pedaço de vitela e purê de batatas com três pedaços de pão. Mas para ela é um banquete extraordinário: já faz dez anos que não tem uma refeição igual.

“Ao terminar ainda continuava com fome. Pedi mais uma porção. Fui atendida e pedi mais. Então me trouxeram como sobremesa um prato de sêmola de arroz, com receio que me sentisse mal.”

À tarde, a recuperada, satisfeita sem estar saciada, levanta-se, veste-se sozinha e sai para dar um passeio:

Décadas depois Jeanne Fretel narrou para a TV como ficou instantânea e permanentemente curada
Décadas depois Jeanne Fretel narrou para a TV
como ficou instantânea e permanentemente curada

“Já fazia três anos que eu não andava e naquele instante caminhei com a mesma desenvoltura de hoje ‒ esclarece Jeanne Fretel –. Assim que cheguei às piscinas, tomei um banho de pé, sem me cansar.”

À noite, torna a ingerir uma refeição (sopa, pão e patê, sobremesa) e adormece, mas desperta por volta da meia-noite, ainda atormentada pela fome; serve-se de pão, manteiga, doces, bolo e readormece.

No dia seguinte, levam-na até a Junta das Constatações onde cinco médicos assinam em conjunto um boletim em que declaram:

“Enorme melhora, talvez cura completa.”

Jeanne Fretel sente-se tão aliviada no trem de volta que pede e suporta muito bem a parada brusca das injeções de morfina, sem experimentar as perturbações graves e costumeiras de uma desintoxicação tão violenta.

E podemos imaginar o assombro do médico assistente da doente, o Dr. Pellé, que escreve a 13 de outubro de 1949:
“Voltamos a ver a senhorita Fretel no mesmo dia de seu retorno de Lourdes para Rennes, onde a examinamos e observamos o desaparecimento completo de todos os sinais patológicos. Temos acompanhado a paciente com regularidade e constatamos que a melhora do seu estado geral prossegue. Seu peso que era de 44 quilos no dia 5 de outubro de 1948 passou para 58,200 quilos. Durante os oito primeiros dias, esta jovem ganha 1,350 por dia. A temperatura é normal: 36°8 pela manhã, 37°2 à noite. O apetite e o sono são muito bons.”

Jeanne Fretel, após o seu regresso, teve condições de reencetar uma vida ativa que prossegue sempre sem qualquer acidente patológico. Nunca mais sentiu qualquer tipo de dor. A vida normal retomou seu curso na plenitude de uma saúde perfeita. Todos os dias levanta-se às 5h30 e recolhe-se às 11 da noite. E, no entanto, tem que fazer as tarefas mais cansativas da casa.

Um ano depois, a jovem comparecerá diante dos vinte e oito médicos da Junta médica de Lourdes. Em 1950, após terem concluído tratar-se de uma “cura inexplicável”, o processo de Jeanne Fretel é enviado à Comissão canônica criada expressamente para examinar este caso pelo cardeal Roques, arcebispo de Rennes. E a 8 de novembro de 1950, a Comissão canônica declara:

“O caso da senhorita Fretel situa-se na série das curas extraordinárias, cientificamente inexplicáveis, na presença das quais só podemos repetir: 'O dedo de Deus se faz sentir'.”

Em seguida, o cardeal Roques, na data de 20 de novembro, apresenta um “reconhecimento de milagre” assim redigido:

“Reconhecemos que a senhorita Jeanne Fretel, acometida de peritonite tuberculosa com sinais meningíticos e em estado muito grave de caquexia, foi curada súbita e radicalmente a 8 de outubro de 1948, no momento em que comungava no altar de Santa Bernadette em Lourdes, e nós julgamos e declaramos que a cura é milagrosa e deve ser atribuída à Nossa Senhora de Lourdes.”

Vídeo (em espanhol) com o testemunho de Jeanne Fretel





(Fonte: Philippe Aziz, “Os milagres de Lourdes ‒ A Ciência face à fé”, 1981, Tradução de WiIma Freitas Ronald de Carvalho, )

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

O padre que salvou grande tesouro cultural iraquiano
com um terço na mão

Frei Najeeb-Michaeel O.P., exibe um dos documentos salvos
Frei Najeeb-Michaeel O.P., exibe um dos documentos salvos
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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No dia 6 de agosto de 2014, enquanto os obedientes adeptos do Corão do ISIS (abreviatura em inglês de Estado Islâmico do Iraque e do Levante) avançavam sobre a cidade crista de Qaraqosh – hoje felizmente recuperada – o frade dominicano iraquiano Najeeb Michaeel se afastava a toda velocidade.

Ele conduzia um carro e era acompanhado por um caminhão fretado. Nos dois veículos ia um tesouro que acabou sendo salvo das garras da destruição dos fanáticos islâmicos: 3.500 manuscritos orientais dos séculos X a XIII, contou ele para o jornal “Clarin”.

O sacerdote os tinha tirado de Mosul, que viraria capital dos seguidores de Maomé, inimigos de toda forma de cultura.

A pequena caravana fez um longo caminho entre o pó e o terror. Conseguiu passar por três controles: um dos próprios muçulmanos do ISIS e dois das milícias curdas, essas mais amigáveis.

Por fim, chegou a Erbil, no Curdistão, onde essa valiosa parte da memória da Mesopotâmia ficou a salvo até os presentes dias.

O Pe. Najeeb Michaeel renovou assim, em pleno III milênio, com uma velha e admirável tradição da Igreja Católica.


Para frei Najeeb-Michaeel O.P., o diálogo com os autênticos adeptos do Islã é impossível.
Para frei Najeeb-Michaeel O.P., o diálogo com os autênticos adeptos do Islã é impossível.
A Igreja, desde os tempos das invasões bárbaras na Europa protegeu e salvou quase todo o acervo da Antiguidade pagã, sobretudo a greco-romana, que assim pode chegar até nossos dias.

“Salvar a memória foi um ato da Providencia, explicou ele. Não foi organizado. Eu estava em Mosul, quando o ISIS avançou sobre a cidade.

“Eu tinha regressado de completar a bibliografia de minha tese de doutorado na Universidade de Friburgo, na Suíça.

“Ajudado por dez jovens do nosso Centro Numérico de Manuscritos Orientais selecionamos textos e fotos antigas, os enrolamos em papelões e os empacotamos em caixas.

“O ISIS ataca às pessoas e à cultura. Não só mata cristãos, yazidis e outras minorias, mas destrói as raízes. Por isso eu venci o medo para proteger esse patrimônio”.

O Pe. Michaeel participou de um colóquio em Buenos Aires promovido pelo Ministério da Cultura argentino, representando o Centro Numérico que dirige.

O frade dominicano preservou e restaurou durante muito tempo valiosos documentos em couro e outros suportes antiquíssimos dos anos 900 a 1300, que pertencem a coleções privadas, instituições culturais e a diversos grupos religiosos.

Entre os textos que ele conseguiu salvar há muitos de origem muçulmano, além de cristãos e yazidis [comunidade étnico-religiosa curda que professa uma crença sincrética, mistura de antigas religiões da Mesopotâmia].

O frade dominicano Najeeb-Michaeel, mostra outro documento salvo.
O frade dominicano Najeeb-Michaeel, mostra outro documento salvo.
Hoje o Pe. Michaeel vive num campo de refugiados em Erbil enquanto aguarda o desfecho da batalha que poderá derrotar o ISIS e liberar sua cidade Mosul.

O religioso dominicano cuida de 250 famílias cristãs e yazidis. É um missionário pregador que também age como curador e protetor da cultura do país.

Interrogado sobre como foi a fuga, ele respondeu com um sorriso.

Nunca deixei de rezar meu terço. Sobre as caixas onde escondemos os documentos antigos ia muita gente fugindo do ISIS.

“Em certo momento senti que a Virgem Maria se tinha sentado no carro e no caminhão. Esse foi meu sentimento.

“Foi providencial que [os guardas islâmicos] não revisassem as caixas. Ali nós levávamos não só a memória do Iraque, mas as da Mesopotâmia toda.

“Havia documentos em dez línguas e sobre vinte temas diversos. Havia exemplares antigos da Bíblia e do Corão, textos sobre história, teologia, filosofia, astronomia, astrologia, medicina de plantas, gramática e dicionários, todos manuscritos.

“Além desses documentos também salvamos as câmaras com que os digitalizamos e os discos rígidos dos computadores, mas perdemos tudo o que deixamos em Mosul”.

Incêndio da catedral de Mosul, nessa hora o frei Michael estava desaparecido resgatando documentos históricos.
Incêndio da catedral de Mosul, nessa hora
frei Michael estava desaparecido resgatando documentos históricos.
O sacerdote explicou como venceu o medo diante das ameaças de morte.

“Antes do ISIS, explicou, esteve [a facção terrorista islâmica] Al Qaeda e eu tive que fugir do Iraque porque estava numa lista para ser assassinado.

Mataram a sete religiosos de minha ordem. Acredito ser necessário salvar o patrimônio junto com os homens. É como salvar a árvore com suas raízes.

“Além do mais, o ISIS não quer dialogar, porque antes de falar, mata. Nesses termos é muito difícil considerar um diálogo. Eles impõem três opções: fugir, se converter ao Islã ou ser morto.

“Pelos carros de som davam 24 horas às pessoas para fugir com a roupa do corpo. Se não teriam que se converter ao Islã. E se recusavam, eram mortos.

“Em Mosul assassinaram milhares de homens e milhares de mulheres. E meninas foram feitas escravas sexuais”.

O frade que salvou milhares de manuscritos do furor destrutor muçulmano (reportagem em inglês)



Mesmo acima mas em francês: O frade que salvou milhares de manuscritos do furor destrutor muçulmano



Entrevista ao Pe. Najeeb Micheel O.P. (em francês)




segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

25 de dezembro é bem o dia em que Jesus nasceu

Natividade e Adoração dos Magos.
Ícone anônimo do século XVII, Museu Benaki, Atenas.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O Natal católico é celebrado no dia 25 de dezembro. Mas há vozes, não raramente protestantes, falsamente ecumênicas ou anticristãs, que questionam a historicidade dessa data.

Elas arguem que na primeira metade do século IV a Igreja substituiu a celebração pagã Dies natalis Solis invicti (o deus persa/hinduísta/greco-romano Mitra?) por uma memória cristã do solstício de inverno (21-22 de dezembro).

E, portanto, não seria uma data histórica mas uma cristianização de uma festa pagã.

Essa posição é de molde a gerar confusão. E muitos gostarão ver a clareza do fundamento para comemorar a festa de Natal em 25 de dezembro.

Diferenças entre os calendários judeus e romano

A dificuldade tem azo na diversidade dos calendários.

Os romanos usavam o seu, o calendário juliano, que continha defeitos, mas que nós herdamos. Hoje é usado pelo mundo ocidental e pelos países civilizados após a sábia reforma do Papa Gregório XIII. Por isso é chamado de calendário gregoriano.

Mas, no tempo de Nosso Senhor, os judeus usavam um calendário completamente diferente, que era o calendário do Templo, aliás mais preciso que o romano daquela época.

Nos Evangelhos todas as datas são referidas usando esse calendário do Templo.

Quais são essas datas e ao que correspondem em nosso calendário?

O professor Pier Luigi Guiducci, historiador da igreja, esclareceu para a agência Zenit, as dificuldades da datação.

Mas, o professor apontou que a principal referência a uma data se encontra no Evangelho de São Lucas. Este Evangelho de Lucas traça a genealogia de Jesus até Adão, passando pela Anunciação e por seu nascimento virginal.

O arcanjo São Gabriel apareceu a São Zacarias e lhe anunciou que sua mulher Sara tinha concebido Très Riches Heures du duc de Berry, Musée Condé, Chantilly, século XV
O arcanjo São Gabriel apareceu a São Zacarias
e lhe anunciou que sua mulher Sara tinha concebido
Très Riches Heures du duc de Berry, Musée Condé, Chantilly, séc.XV
São Lucas narra que o anjo Gabriel anunciou ao velho sacerdote Zacarias que sua esposa Isabel, estéril e idosa, havia concebido um filho, destinado a preparar o povo para aquele que estava por vir (Lc 1,5-25).

E São Lucas acrescenta que esta miraculosa comunicação aconteceu seis meses antes da Anunciação a Maria (Lc 1,26-38).

Lucas sublinha que Zacarias pertencia à “classe [sacerdotal] de Abias” (Lc 1,5), e que a aparição de São Gabriel aconteceu enquanto “exercia a função de sacerdote na ordem de sua classe” (Lc 1,8).

Esse dado especifica uma data precisa de acordo com o calendário do Templo que os judeus conheciam perfeitamente.

A Lei Mosaica era muito exigente em matéria de dias e datas e os judeus observantes faziam questão de obedecê-las à risca.

Eles sabiam precisamente o dia que significavam e pautavam por eles os eventos fundamentais de sua vida, como sacrifícios, apresentação da criança ao Templo [prefigura do batismo], etc.

E no Templo de Jerusalém, os sacerdotes eram divididos em classes que deviam desempenhar os ofícios em 24 turnos (1Cr 24,1-7.19). Essas “classes”, se revezavam na ordem, porque deveriam prestar serviço litúrgico por uma semana, “de sábado a sábado”, duas vezes ao ano.

A versão hebraica do Antigo Testamento segundo o texto da Septuaginta indica que a classes sacerdotais, até a destruição do Templo (70 d.C) se revezavam conforme segue:

I) Iarib; II) Ideia; III) Charim; IV) Seorim; V) Mechia; VI) Miamim; VII) Kos; VIII) Abia; IX) Joshua; X) Senechia; XI) Eliasibe; XII) Iakim; XIII) Occhoffa; XIV) Isbosete; XV) belga; XVI) Emmer; XVII) Chezir; XVIII) Afessi; XIX) Fetaia; XX) Ezekil; XXI) Jaquim; XXII) Gamoul; XXIII) Dalaia; XXIV) Maasai.

E Zacarias pertencia ao “turno de Abia”, o oitavo.

Descobertas arqueológicas permitem precisar as datas

O arqueólogo escocês Sir William Ramsay, uma das maiores autoridades na matéria, escreveu que “Lucas é um historiador de primeira classe, não só suas afirmações sobre os fatos são dignas de fé... ele deve ser posto entre o grandíssimos historiadores”. Cfr “Luke the Evangelist”, Wikipedia.

A composição do Evangelho de Lucas aconteceu no início dos anos 60 d.C. Portanto São Lucas, escrevia quando o Templo ainda estava em atividade e todos os sacerdotes conheciam suas funções, classes e datas.

O rodízio referido se repetia duas vezes por ano e o evangelista não anota em qual dos dois turnos anuais Zacarias recebeu o anúncio do anjo.

Fac-símile dos documentos de Qumran.
Fac-símile dos documentos de Qumran.
Porém, em 1953 a especialista francesa Annie Jaubert, vasculhou o calendário do Livro dos Jubileus, [apócrifo hebraico do século II a.C.] e publicou os resultados no artigo: Le calendrier des Jubilées et de la secte de Qumran. Ses origines bibliques [em “Vetus Testamentum”, suppl. 3, 1953, pp. 250-264].

Por outro lado, Shemarjahu de Talmon, especialista da Universidade Hebraica de Jerusalém auscultou os documentos de Qumran que incluem o Calendário dos Jubileus.

Os resultados de Talmon foram publicados no artigo ‘The Calendar Reckoning of the Sect from the Judean Desert. Aspects of the Dead Sea Scrolls’ (em “Scripta Hierosolymitana”, vol. IV, Jerusalém 1958, pp. 162-199).

Os dois chegaram a conclusões convergentes. Assim Talmon foi capaz de precisar a sucessão da ordem de 24 turnos sacerdotais no Templo, no tempo de Jesus.

O estudioso judeu estabeleceu que o ‘turno de Abia’ acontecia a primeira vez, do dia 8 ao dia 14 do terceiro mês do calendário hebreu. A segunda vez acontecia de 24 a 30 do oitavo mês do calendário do Templo, período que correspondia à última semana de setembro no calendário romano.

Antonio Ammassari [‘Alle origini del calendario natalizio’ em “Euntes Docete” 45 (1992) pp. 11-16], mostra que São Lucas indicando o “turno de Abia” fornece a sucessão das datas históricas.

Cronologia da Encarnação e do Nascimento de Jesus

Desta maneira ficou esclarecido que o anúncio divino a Zacarias da concepção de São João Batista tem uma data histórica precisa: 24 de setembro do nosso calendário gregoriano do ano 7-6 a.C.

E o nascimento de São João Batista nove meses depois como escreve São Lucas (Lc 1,57-66), aconteceu o dia 23/25 de junho. É portanto, uma data histórica, explicou o professor Guiducci.

Natividade. Mestre do altar de Vyšší Brod, Galeria Nacional de Praga.
Natividade. Mestre do altar de Vyšší Brod, Galeria Nacional de Praga.
A Anunciação a Maria e a Encarnação do Verbo “no sexto mês” depois da concepção de Isabel registrada no evangelho de São Lucas (1,28), aconteceu portanto no dia 25 de março. E é também uma data que tem certeza histórica.

Cumpridos os nove meses chegamos a 25 de dezembro.

O professor Pier Luigi Guiducci, historiador da igreja, conclui que “podemos dizer que é histórico o nascimento do Senhor a 25 de dezembro, 15 meses após o anúncio a Zacarias, nove meses após a Anunciação a Maria, seis meses após o nascimento de João Batista”.

O professor judeu Talmon baseado no calendário do Templo, reconstitui a mesma sucessão de fatos que conduzem a 25 de dezembro.

Portanto a festa nesse dia não foi fixada ao acaso e está fundada na tradição judeu-cristã da Igreja primitiva de Jerusalém, escreveu Vittorio Messori: “Jesus nasceu verdadeiramente em 25 de dezembro”, em Il Corriere della Sera, 9 de julho de 2003.

A circuncisão e a apresentação ao Templo concordam

Guiducci acrescentou que a data da circuncisão [prefigura do batismo] no dia 1º de janeiro também é histórica. Pois a prescrição de Moisés ordenava ser feita dentro do oitavo dia do nascimento. E o oitavo dia após o 25 de dezembro é o 1º de janeiro.

Apresentação do Menino Jesus ao Templo. Jean Bourdichon (1457 -- 1521),  J.P.Paul Getty Museum, Los Angeles
Apresentação do Menino Jesus ao Templo.
Jean Bourdichon (1457 -- 1521),  J.P.Paul Getty Museum, Los Angeles.
“A circuncisão, oito dias após seu nascimento, é uma data histórica”, conclui. “Completados que foram os oito dias para ser circuncidado o menino, foi-lhe posto o nome de Jesus, como lhe tinha chamado o anjo, antes de ser concebido no seio materno” (Lucas 2:21).

Mais ainda, a apresentação da criança no Templo e a purificação da mãe devia acontecer dentro do 40º dia após o nascimento segundo lei de Moisés. Segundo o costume, a mãe se apresentava ao templo com uma vela acesa.

E os quarenta dias se cumprem na festa de Nossa Senhora da Candelária.

“Então, quarenta dias após o nascimento, dia 2 de fevereiro, a Apresentação do Senhor no Templo, é uma data histórica”, diz também o professor.

O censo de César Augusto

O evangelho de São Lucas menciona o censo ordenado pelo imperador César Augusto, como sendo a época em que aconteceu o nascimento do Redentor.

Augusto nomeia Quirino governador de Síria. Jean Bourdichon (1457 - 1521), Paris, BnF, manuscrit NAF. 21013, folio 65o.
Augusto nomeia Quirino governador da Síria.
Jean Bourdichon (1457 - 1521),
Paris, BnF, manuscrit NAF. 21013, folio 65o.
Na Palestina, o censo foi efetivado por Quirino prefeito da Síria (7-6 a.C).

No site Católicos online podemos ler o erudito trabalho de Dom Estêvão Bettencourt O.S.B., que esclarece os vários censos ordenados naquela época em anos diversos pelo imperador César Augusto.

O autor foi um dos mais destacados teólogos brasileiros do século XX, monge da Ordem dos Beneditinos do Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro.

Num erudito, denso e sábio trabalho ele ordena e esclarece as intrincadas dificuldades a propósito dos vários censos na Terra Santa e a ele remetemos os leitores interessados. Veja: O Recenseamento sob César Augusto e Quirino (Lc 2, 1-5)

Comparando com rica documentação tirada dos historiadores Tito Lívio, Suetônio, Flávio José, Strabo e de inscrições antigas o douto autor confirma a historicidade do texto de Lucas.

O imperador Augusto três vezes promoveu o recenseamento dos cidadãos de seu Império entre 28 a.C. e 14 d.C.

E Quirino, que foi governador da Síria desde o ano 6 a.C até 12 d.C, foi o executor de um desses recenseamentos nas regiões confiadas à sua jurisdição, para sujeição e lealdade a César Augusto

Precisando o ano do Natal

O recenseamento referido por São Lucas efetivou-se cerca de um ano antes da morte de Herodes. Isso aponta o nascimento de Cristo no ano 5 a.C.

No cálculo atual, seria outono de 1 a.C, mas segundo explicou o professor Pier Luigi Guiducci, a partir do século VI houve um erro de cerca de seis ou cinco anos da data real do ano do nascimento do Senhor.

Apresentamos a continuação um destaque gráfico com a explicação deste erro por Dom Estêvão Bettencourt OSB.

O ano do nascimento de Cristo esclarecido por Dom Estêvão Bettencourt OSB

No século VI o monge Dionísio o Exíguo ou Pequeno (+556), desejoso de calcular a data de Páscoa para os anos subsequentes, conjeturou o ano se baseando em datas históricas romanas e chegou ao ano que ele indicou como sendo o do nascimento de Cristo e o inicio da era cristã, ainda hoje em voga.

Dionísio, porém, enganou-se.

Herodes recebe os três Reis Magos. British Library Royal 1 D X, f2.
Herodes recebe os três Reis Magos. British Library, Royal 1 D X, f2.
Dionísio não levou em conta a noticia consignada por Mt 2,1: Jesus nasceu antes do falecimento do rei Herodes.

Ora Herodes passou doente os últimos meses de sua vida em Jericó, ao passo que os Magos ainda o encontraram em Jerusalém (cf. Mt 2,3).

Disto se conclui que a visita destes personagens a Herodes se deve ter dado, pelo menos, por volta do ano 5 a.C.

Note-se outrossim que Herodes mandou matar todos os meninos que tivessem até dois anos de idade: supunha, portanto, que Jesus pudesse ter nascido havia dois anos.

Admitindo que o monarca haja feito um cálculo largo, teremos que recuar um ano ou mais para além do ano 5º a. C., a fim de chegar ao ano em que Cristo nasceu.

É o que leva os melhores exegetas a admitir que Jesus tenha vindo ao mundo por volta do ano 6° antes da era cristã, ou seja, cerca de 748 da era de Roma.

(Autor: Dom Estêvão Bettencourt, PERGUNTE E RESPONDEREMOS 003 – março 1958)


Outras datas chaves solidamente definidas

A pregação de João Batista teria começado no ano XV do império de Tibério César (cerca de 27-28 d.C).

São Lucas também registra que “Jesus, quando começou o seu ministério, tinha cerca de 30 anos” (Lc 3,23). A relação entre a pregação dos dois é preciosa para acertar as datas.

A principal datação histórica sobre a vida do Senhor está centrada no evento-chave: a sua morte ocorreu às 15 horas da sexta-feira, 7 de abril de 30 d.C.

E isto é astronomicamente certo. Pois São Lucas nos ensina que antes de Nosso Senhor lançar um grande brado e entregar a alma “em toda a terra houve trevas”.

44. Era quase à hora sexta e em toda a terra houve trevas até a hora nona.

A Ressurreição que aconteceu na madrugada de domingo, 9 de abril do ano 30 d. C.
A Ressurreição aconteceu na madrugada de domingo 9 de abril do ano 30 d.C.
45. Escureceu-se o sol e o véu do templo rasgou-se pelo meio.

46. Jesus deu então um grande brado e disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, dizendo isso, expirou. (São Lucas, 23, 44-45

E isto se deu por um eclipse de sol acontecido nesse dia e nessa hora, não tendo acontecido outro eclipse igual em algum outro ano próximo, verificável por cômputos astronômicos, inclusive digitais.

Define-se a partir daqui outras datas históricas, notadamente a Ressurreição que aconteceu na madrugada de domingo, 9 de abril do ano 30 d. C., data astronômica também certa, portanto.



segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Cientistas identificam mistérios na abertura do Sepulcro de Cristo

Na abertura do Santo Sepulcro alguns cientistas reportaram um 'suave aroma'  e os aparelhos funcionaram de modo anormal
Na abertura do Santo Sepulcro cientistas reportaram um 'suave aroma'
e os aparelhos funcionaram de modo anormal
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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diversos blogs





continuação do post anterior: O Santo Sepulcro aberto, a Ressurreição de Jesus Cristo e a “ressurreição” da Igreja em nossos dias




Alguns arqueólogos que trabalharam na abertura do Santo Sepulcro disseram ter percebido fenômenos não habituais nesse tipo de investigações.

Segundo informou CatholicCulture.org, eles relataram que se aproximando da pedra original sobre a qual repousou o corpo de Cristo ungido por Nossa Senhora perceberam um “aroma suave”.

Esse seria comparável aos perfumes florais que também foram relatados em aparições de Nossa Senhora ou dos santos, como aconteceu no enterro de Santa Teresinha.

Os especialistas também contaram que os aparelhos eletrônicos ligados sobre o Santo Sepulcro começaram a funcionar mal ou pararam completamente, como se fossem afetados por forças eletromagnéticas não identificadas até agora.

O site “Aleteia” forneceu maiores informações.

As falhas nos aparelhos aconteciam quando esses eram colocados em posição vertical sobre a pedra em que repousou o corpo morto de Cristo até a Ressurreição.

As hesitações de uma responsável e a resposta da Providência

Marie-Armelle Beaulieu, diretora da revista Terre Sainte Magazine deu impressionante testemunho.
Marie-Armelle Beaulieu,
diretora da revista Terre Sainte Magazine
deu impressionante testemunho.
Marie-Armelle Beaulieu, diretora do site da Custodia Franciscana de Terra Santa e chefe de redação da revista da mesma Custodia Terre Sainte Magazine, foi uma das poucas pessoas, cientistas e responsáveis religiosos, que teve licença para visitar o sacro túmulo aberto.

Ela se mostrou cética quanto ao “odor suave” de que outros falavam. Para ela um odor facilmente pode ser resultado de uma autossugestão. Ela diz que não percebeu aroma particular algum.

Porém, durante a abertura anterior do sepulcro, que foi parcial e esteve a cargo do arquiteto Nikolaos Komnenos em 1809, o cronista da época também fez menção a um “doce aroma”.

Segundo Marie-Armelle, as pessoas que se interessam pelo Santo Sepulcro conhecem bem esse texto, e de ali tira a tese da autossugestão.

Porém, as informações nada dizem se os cientistas que estão trabalhando no Sepulcro sabiam algo desse antecedente histórico. Não há dados que apontem católicos entre eles, sendo mais provável que fossem maioritariamente cismáticos, sem religião ou até agnósticos.

Não seria estranho que a graça tenha querido tentar toca-los com um sinal sensível, material, como os “aromas florais”.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

O Santo Sepulcro aberto, a Ressurreição de Jesus Cristo e a “ressurreição” da Igreja em nossos dias

Portinha de ingresso no Santo Sepulcro enquanto a equipe de restauração retirava o mármore superior.
Portinha de ingresso no Santo Sepulcro enquanto a equipe de restauração retirava o mármore superior.

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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continuação do post anterior: Lições do Santo Sepulcro de Jesus Cristo aberto após séculos para exame científico




Por que fizeram estes trabalhos?

Durante a restauração de 1810, foi erigida sobre o sagrado Santo Sepulcro uma pequena estrutura artística conhecida como edícula (do latim aedicule, ou “casinha”).

Essa edícula há tempos pedia uma restauração e a Autoridade das Antiguidades do governo de Israel acabou declarando-a insegura impondo uma reforma.

Após muita discussão uma equipe de cientistas da Universidade Técnica Nacional de Atenas, sob a direção de seu supervisor científico chefe, a professora Antônia Moropoulou, ficou a cargo da empreitada.

Essa Universidade havia demonstrado sua competência restaurando a Acrópole de Atenas e a catedral Santa Sofia de Istambul.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

O Santo Sepulcro de Jesus Cristo
aberto após séculos para exame científico


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Pela primeira vez em quase dois milênios, cientistas puderam entrar em contato com a pedra original sobre a qual foi depositado o Santíssimo Corpo de Jesus Cristo envolvido nos panos mortuários, dos quais o mais famoso é o Santo Sudário.

O Santo Sepulcro logo antes dos trabalhos de restauração.
O Santo Sepulcro logo antes dos trabalhos de restauração.
A cova original hoje se encontra albergada na igreja do Santo Sepulcro na parte velha de Jerusalém. Ela está coberta por uma lápide de mármore que data pelo menos do ano 1555, ou quiçá de séculos anteriores ainda.

“O que achamos é surpreendente”, explicou à agência de notícias Associated Press o arqueólogo Fredrik Hiebert, da National Geographic Society, que participa no projeto. “Passei um tempo na tumba do faraó egípcio Tutancâmon, mas isso é mais importante”.

“Serão necessárias muito demoradas análises científicas [dos abundantes dados recolhidos], mas nós por fim pudemos ver a superfície original de rocha sobre a qual foi depositado o corpo de Cristo”, acrescentou.

De fato, até hoje não existiam gravuras desse leito de rocha calcária que, a fortiori, nunca foi fotografado. Tudo o que havia eram reproduções artísticas, mais ou menos felizes.

O Santo Sepulcro foi aberto durante 60 horas para os cientistas e, depois, voltou a ser lacrado em seu estado anterior.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Uma grande razão para rezarmos pelas almas dos falecidos:
o Purgatório

Fachada da igreja do Sagrado Coração do Sufrágio
Luis Dufaur
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Pensando no bem que podem ganhar nesta data religiosa as almas dos fiéis defuntos -- ente as quais pode haver parentes ou amigos nossos -- reproduzimos a continuação o post Museu das almas do Purgatório 1: uma janela para o além que merece ser mais estudada com estimulante matéria a respeito para rezarmos por essas almas.



Indo à Basílica de São Pedro pelo Lungotevere – a avenida que bordeja o histórico rio Tibre – o romeiro é surpreso por uma bonita igreja que tem o imponderável de conter algo muito singular.

Não é só o fato de seu estilo neogótico evocar a França e destoar do distendido conjunto arquitetônico romano.

Luminosa, delicada, esguia, sorridente, mas infelizmente fechada boa parte do dia, a igreja do Sagrado Coração do Sufrágio fica a dois quarteirões de Castel Sant’Angelo e da Via dela Conciliazione, que leva direto ao Vaticano.

VER EM GOOGLE MAPS

Perguntei a amigos romanos o que havia nessa igrejinha.

Eles me explicaram – não sem antes me prevenirem de não me espantar – que lá havia um Museu das Almas do Purgatório.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

A cidade que viu a luta entre Davi e Golias

Davi vitorioso sobre Golias.
Bartolomeo Bellano (Padua 1437–1497).
Metropolitan Museum of Art, New York City.
Luis Dufaur
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Khirbet Qeiyafa, vale de Israel, é o nome moderno do local que serviu de quadro para um evento que marcou época há milênios.

Uma equipe de arqueólogos acredita ter desenterrado os restos da cidade que ali ficava e que teria testemunhado de alguma forma a batalha singular entre Davi e Golias.

Essa cidade de onde partiu o jovem pastor Davi, futuro rei de Israel, havia entrado no mistério da História e agora reaparece, segundo informa o Jewish News Service.

Os restos apontam uma cidade que há três mil anos tinha duas portas de acesso e que é mencionada no relato bíblico da luta de Davi contra Golias

Foram necessários sete anos de escavações. Mas os frutos agora podem ser vistos na mostra “No Vale de Davi e Golias” inaugurada em Jerusalém.

Os achados em Qeiyafa intrigaram historiadores e arqueólogos desde o primeiro momento em que foram revelados.

As ruínas foram desenterradas entre Soco e Azeca, na fronteira dos territórios filisteus e judeus, dois povos que se digladiaram a morte entre si simbolizando a luta entre o Bem e o Mal, entre os filhos de Deus e os filhos da serpente.

De um lado, os judeus, o povo eleito e amado por Deus no qual haveria de nascer o Messias, Redentor do Mundo, das entranhas imaculadas de Maria, descendente de Davi.

Do outro lado, os filisteus, povo do qual se poderia reputar entregue a todas as formas de mal. Confira a respeito: Arqueólogos acham restos do povo filisteu açoite dos israelitas

A luta desses povos símbolos teve um auge simbólico, místico e militar na luta entre Davi e Golias, do qual nos fala o primeiro livro de Samuel:

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

O Pe. Gabriele Amorth, exorcista de Roma, partiu para a eternidade

O Pe. Gabriele Amorth, exorcista da diocese de Roma
O Pe. Gabriele Amorth, exorcista da diocese de Roma
Luis Dufaur
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Agência Boa Imprensa – ABIM



Em 16 de setembro [2016], aos 91 anos de idade faleceu o Exorcista da diocese de Roma, que sempre alertou a respeito do perigo da crescente ação diabólica na atualidade.

Em memória do Revmo. Pe. Gabriele Amorth transcrevemos a seguir uma importante entrevista que ele concedeu com exclusividade para a revista Catolicismo e publicada em sua edição Nº 596, de agosto de 2000.

O Padre Gabriele Amorth, da Pia Sociedade de São Paulo é muito apreciado por seus livros sobre Nossa Senhora e sua atividade apostólica jornalística. Seu programa na Radio Maria peninsular contava com 1.700.000 ouvintes.

O Pe. Amorth tornou-se mundialmente conhecido com o lançamento de sua obra Um exorcista conta-nos, em 1990. Tal obra alcançou notável êxito editorial na Itália, tendo sua tradução portuguesa obtido várias edições.

A partir de então, a mídia internacional vem focalizando a atuação desse sacerdote, nomeado Presidente da Associação Internacional dos Exorcistas.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

No resgate do Santo Sudário, um milagre em meio às chamas

A capela em chamas
Luis Dufaur
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Na noite de 11 para 12 de abril de 1997, pavoroso incêndio ameaçou destruir para sempre uma das mais preciosas relíquias do mundo católico: o Santo Sudário de Turim, mortalha que envolveu por três dias o Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo, após sua Crucifixão até sua Ressurreição.

Só depois de longo e extenuante combate do corpo de bombeiros, o sacrossanto Linho pôde ser salvo das chamas. Além do Palácio Real, o incêndio destruiu quase completamente a capela de Guarino Guarini — contígua à Catedral de Turim — onde se encontrava a relíquia.

Alguns órgãos da imprensa italiana levantaram suspeitas de o incêndio ter sido criminoso.

Naquele momento dramático, em que tudo parecia perdido, assistimos a uma das mais belas cenas de heroísmo: o bombeiro Mario Trematore lançou-se destemidamente entre as chamas, e com uma grossa barra de ferro golpeou repetidas vezes o vidro à prova de bala que protegia a relíquia, recuperando-a em seguida. Instantes depois, a cúpula inteira da capela desabou.

Com o recuo de uma década, e tendo presente a comoção do mundo católico em vista daquela tragédia que quase se consumou, Catolicismo pediu a seu correspondente em Milão, Sr. Roberto Bertogna, que entrevistasse o Sr. Mario Trematore, a fim de que este narrasse a nossos leitores o emocionante resgate, bem como as lembranças mais significativas que tal acontecimento deixou vincadas em sua alma.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

As ruínas de Laodiceia e o fim do mundo

"Sou rico e cheio de bem, de nada tenho falta;
e não sabes que és um infeliz,
e miserável, e pobre, e cego, e nu."
Ruínas de Laodicéia
Luis Dufaur
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Em meio às ruínas de Laodiceia foi localizado o local da antiga igreja católica, informaram o diário italiano “Avvenire” e o turco Hurriyet.

Laodiceia é uma das sete Igrejas para as quais São João escreve no Apocalipse, último livro da Bíblia.

A cidade de Laodiceia ‒ hoje em território turco ‒ foi inteiramente arruinada e abandonada, mas os escombros que ficam falam de sua grandeza, riqueza e esplendor.

A cidade morna na Fé acabou desaparecendo totalmente.

Tal vez os habitantes dos tempos apostólicos julgassem que essa perspectiva era impensável, entretanto foi prevista no profético livro do Apocalipse.

A descoberta foi confirmada pelo professor Celal Simsek, chefe da missão arqueológica turca que realizou as escavações.

Os restos do edifício sagrado foram identificados com o auxílio de um radar subterrâneo.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Catedrais góticas:
façanha técnica maior que a das pirâmides do Egito

Nave central da catedral de Reims, França
Luis Dufaur
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A técnica é definida pela Escolástica, da mesma forma que as artes, como “recta ratio factibilium”. Quer dizer, a reta ordenação do trabalho, ou também, a ciência de trabalhar bem.

Hoje, o mal uso da técnica, a empurra para produzir para além do que é bom, e espalhar instrumentos que afligem a vida dos homens.

Nos tempos em que o espírito do Evangelho penetrava todas as instituições, a técnica produziu frutos que vão além do tudo o que a Humanidade conheceu previamente.

E, dizem especialistas, criaram prédios portentosos que parecem um quebra-cabeça para a mais sofisticada tecnologia moderna.

Um desses frutos inigualados foram as catedrais medievais.

A catedral de Colônia resistiu aos bombardeios que arrasaram a cidade na II Guerra Mundial
A catedral de Colônia
resistiu aos bombardeios que
arrasaram a cidade na II Guerra Mundial.
Até hoje especialistas tentam decifrar como fizeram os arquitetos da Idade Média para, com tão pobres instrumentos, criar obras colossais que “humilham” as técnicas modernas mais avançadas.

Os técnicos das mais variadas especialidades da construção e também da física, da química e das matemáticas se debruçam para tentar descobrir como os medievais erigiram esses prodígios arquitetônicos.

Mergulham eles nos “mistérios das catedrais”.

São muitos os mistérios que até agora não estão elucidados. Desde as fórmulas químicas desaparecidas que dão aos vitrais tonalidades únicas e irreproduzíveis até os mais complexos cálculos matemáticos e astronômicos que orientaram as proporções cósmicas das Bíblias de pedra.

Como decifrar esses enigmas?

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Dois milênios após a morte de São Paulo
restauradores descobriram sua mais antiga imagem

Descoberta mais antiga imagem de São Paulo
Arqueólogos no momento que desvendaram a pintura.
Luis Dufaur
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Em 19 de junho de 2009 foi descoberta a mais antiga representação conhecida de São Paulo. Ela se remonta ao fim do século IV.

Segundo informou a agência Zenit, foi localizada enquanto se praticavam escavações na catacumba de Santa Tecla, na via Ostiense, não longe da basílica do Apóstolo, fora das antigas muralhas de Roma.

Os arqueólogos limpavam com raios laser uma abóbada quando descobriram um exuberante afresco.

No centro estava representado o Bom Pastor. Em volta, tinha quatro círculos com as esfinges de São Pedro, São Paulo, e mais dos apóstolos.

Os arqueólogos Fabrizio Bisconti e Barbara Mazzei forneceram todos os detalhes da descoberta. Bisconti, que é secretario da Pontifícia Comissão de Arqueologia Sacra e presidente da Academia Pontifícia do Culto dos Mártires, ponderou que “pode ser considerado o ícone mais antigo do Apóstolo encontrado até agora”.