segunda-feira, 19 de junho de 2017

A mais antiga fábrica de vinho e o episódio do Patriarca Noé

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






A mais antiga unidade de produção de vinho jamais encontrada tem cerca de 6 mil anos. Ela foi desvendada na Armênia segundo noticiou o diário de Paris “Le Monde”.

Os arqueólogos até identificaram a safra de vinho tinto seco ali produzida, utilizando técnicas bioquímicas.

A descoberta foi publicada na revista científica Journal of Archaeological Science.

O estudo foi realizado em conjunto por órgãos acadêmicos e científicos dos Estados Unidos, Irlanda e Armênia.

“Essa é a mais antiga instalação para fabricação de vinho já conhecida no mundo”, explicou Gregory Areshian, responsável pelos trabalhos e vice-diretor do Instituto de Arqueologia Cotsen, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (EUA).

Cavernas de Areni, Armênia, local da descoberta
As escavações foram feitas num complexo de cavernas, conhecido como Areni-1, na província armênia de Vayots Dzor, Pequeno Cáucaso, perto da fronteira da Armênia com o Irã. O vinho se destinava para o culto.

Perto de uma prensa de vinho foi também identificada uma videira desidratada, cultivada em torno de 4.000 a.C.

A mais antiga produção vinícola até então conhecida era a encontrada no túmulo do rei egípcio Scorpion I, antiga de 5.100 anos.

A fábrica de vinho
Na mesma caverna da Armênia, a equipe desenterrou em 2009 o sapato de couro mais antigo do mundo, com aproximadamente 5.500 anos.

As uvas eram esmagadas numa bacia de argila rasa com cerca de 1 metro de diâmetro. Em volta dela foram recolhidas sementes e uvas secas. O suco era obtido pisando descalço sobre as frutas, disse Areshian.

Foram recolhidos equipamentos de cobre para processar o vinho, vasos impregnados do vinho e até uma taça e um bol.

“Essa foi uma instalação relativamente pequena, relacionada a um ritual dentro da caverna. Para o consumo diário, os moradores teriam prensas muito maiores em estabelecimentos normais”, acrescentou Areshian, que também foi primeiro-ministro adjunto do primeiro governo da República da Armênia independente, em 1991.

Na região dessas cavernas a cultura do vinho é muito antiga e são produzidos bons vinhos tintos das cepas Merlot e Cabernet Sauvignon.

Uvas secas no local
Patrick McGovern, diretor científico do Laboratório de Arqueologia Biomolecular do Museu da Universidade de Pensilvânia, e autor de livros sobre a origem do vinho, mostrou que o tipo de semente recolhida — Vitis vinifera vinifera — continua sendo aproveitada na região.

McGovern lembrou que “até nas regiões baixas como o antigo Egito onde reinava a cerveja, se exigia vinhos especiais nos oferecimentos funerários; e grandes volumes de vinho eram consumidos nas maiores festas religiosas e reais”.

Num livro, McGovern defende que a “cultura do vinho” se desenvolveu primeiro nas regiões montanhosas da Armênia, a partir das quais se espalhou para as planícies do sul, e posteriormente para o mundo todo.

A descoberta arqueológica sugere uma interessante aproximação.

A bacia
Segundo a tradição bíblica a Arca de Noé teria se detido na Armênia, após o dilúvio. E ali teriam descido o Patriarca e seus descendentes.

Provavelmente, ali também teria acontecido o fato descrito na Bíblia em que Noé bebeu do vinho e perdeu os sentidos.

Esta nova descoberta fornece um apoio científico colateral ao relato bíblico.

Aproximação ou apoio colateral não é prova linear, mas ajuda a compor o quadro do acontecimento histórico. E, nesse sentido, fala em favor dos fatos narrados na Bíblia.

O fato de a outra fábrica de vinho mais antiga se encontrar no Egito, mil anos mais nova, nos leva a perguntar se nesse milênio ‒ quer dizer entre o ano 6.000 a.C. da fábrica de vinho armênia e 5.100 a.C. da egípcia ‒ não teria acontecido a dispersão dos povos.

Após a dispersão dos povos, estes teriam partido levando os conhecimentos que eram comuns a todos eles. O fabrico e consumo do vinho, entre eles.

O Patriarca Noé
Entretanto, a datação do dilúvio, referência histórica anterior a Babel, e a dispersão apresentam dificuldades que tomariam o espaço de outro post.

A existência e as características do dilúvio são as mais universais das tradições recolhidas nos povos mais afastados, inclusive entre os índios do Brasil.

Assim ensina o Gênesis, 9, sobre o episódio de Noé e o vinho:

20. Noé, que era agricultor, plantou uma vinha.

21. Tendo bebido vinho, embriagou-se, e apareceu nu no meio de sua tenda.

22. Cam, o pai de Canaã, vendo a nudez de seu pai, saiu e foi contá-lo aos seus irmãos.

23. Mas, Sem e Jafet, tomando uma capa, puseram-na sobre os seus ombros e foram cobrir a nudez de seu pai, andando de costas; e não viram a nudez de seu pai, pois que tinham os seus rostos voltados.

24. Quando Noé despertou de sua embriaguez, soube o que lhe tinha feito o seu filho mais novo.

25. “Maldito seja Canaã, disse ele; que ele seja o último dos escravos de seus irmãos!”

26. E acrescentou: “Bendito seja o Senhor Deus de Sem, e Canaã seja seu escravo!

27. Que Deus dilate a Jafet; e este habite nas tendas de Sem, e Canaã seja seu escravo!”


Sobre a complexa problemática do fato bíblico do Dilúvio estudado pela ciência, veja também:

A ciência à procura de indícios do Dilúvio

Tabuleta babilônica descreve a odisseia de Noé e o Dilúvio

Arca de Noé podia levar dezenas de milhares de animais 

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Identificam a ferida da lançada
no Santo Sudário de Turim e no Sudário de Oviedo

Como foi a lançada. Ilustração da exposição "O homem do Sudário", Curitiba
Como foi a lançada. Ilustração da exposição "O homem do Sudário", Curitiba
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Estudos patrocinados pela Universidade Católica de Múrcia (UCAM), na Espanha, concluíram que o Santo Sudário de Turim e o Sudário de Oviedo envolveram a mesma pessoa. Isso confirmou conclusões de outras análises.

O realmente importante na novidade identificada é que os dois tecidos apresentam sinais de que, depois de morto, o corpo para o qual eles serviram de câmara mortuária “sofreu um ferimento” no lado direito que o atravessou inteiramente, saindo pelas costas.

O tremendo ferimento concorda com o Evangelho de São João quando relata que um centurião romano perfurou o lado de Cristo.

31. Os judeus temeram que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, (...) Rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados.

32. Vieram os soldados e quebraram as pernas do primeiro e do outro, que com ele foram crucificados.

33. Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas,

34. mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água. (...)

36. Assim se cumpriu a Escritura: Nenhum dos seus ossos será quebrado (Ex 12,46).

37. E diz em outra parte a Escritura: Olharão para aquele que transpassaram (Zc 12,10)”. (São João, 19 – 31-37)

A conclusão foi dada a conhecer pela Universidade Católica de Múrcia (Espanha). O estudo médico-forense foi dirigido por Alfonso Sánchez Hermosilla, pesquisador desse centro de estudos, informou ACIDigital. 

Como foi a lançada. Ilustração com mais pormenores
da exposição "O homem do Sudário", Curitiba
O Dr. Sánchez Hermosilla é médico forense do Instituto de Medicina Legal de Múrcia, diretor da Equipe de Pesquisa do Centro Espanhol de Sindonologia (EDICES) e assessor científico do Centro Internacional de Sindonologia de Turim.

Nas conclusões, lê-se que o estudo conjunto do Santo Sudário de Turim e do Sudário de Oviedo

1. “não só confirma que ambos envolveram a mesma pessoa,

2. “como também, que depois de morto e em posição vertical, sofreu um ferimento profundo

3. “que atravessou o tórax direito, com a entrada pela quinta costela e saída pela quarta, perto da coluna vertebral e da escápula direita,

4. “deixando marcas de coágulos de sangue e líquido pericárdico em ambos os panos (no Santo Sudário pelo seu contato com os orifícios da entrada e da saída, e no Sudário de Oviedo com o da saída)”.

[N.R.: a divisão em pontos é de nossa lavra]

Tudo isso, indicou a UCAM, “está de acordo com o que foi relatado no Evangelho de João, capítulo 19, versículos 33-34: ‘Mas, vindo a Jesus, e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas. Contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água’”.

Para chegar a essa conclusão, explica a Universidade, foram realizados “estudos antropométricos, criminalísticos, anatômicos e anatomopatológicos do Santo Sudário de Turim e do Sudário de Oviedo”.

“Seus resultados supõem novas descobertas da Equipe de Pesquisa da UCAM, que está estudando o Sudário de Oviedo e que anteriormente encontrou outras evidências de que ambos os tecidos envolveram a mesma pessoa”, indicou em seu site.

O trabalho informa também que foram realizados “estudos do sangue, da presença de polens, da conservação do material do tecido (linho) e da determinação de contaminantes orgânicos e inorgânicos”.

Representação piedosa do momento tremendo do golpe no corpo exânime de Jesus Cristo Passo da Hermandad de la Lanzada, Semana Santa, Sevilha.
Representação piedosa do momento em que o Coração de Jesus é transpassado.
Passo da Hermandad de la Lanzada, Semana Santa, Sevilha.
“As manchas de sangue que foram estudadas sempre estiveram lá, mas ninguém as havia estudado, e são as únicas com essas características.

“Até o momento, foram atribuídas a marcas causadas pelas feridas da flagelação”, assinalou Sánchez Hermosilla.

A Universidade explicou que “as manchas (...) nas quais se centra o estudo compartilham características comuns e são muito diferentes do resto, pela sua morfologia e complexidade depois da análise macroscópica, como uma alta concentração hemática no centro e uma aureola mais clara e perfilada”.

“Além disso, essas manchas se tornam invisíveis quando observadas com um filtro infravermelho, como normalmente acontece nas manchas causadas pelo sangue de cadáver, ao contrário do que ocorre com o sangue de uma pessoa que está viva (...).

“No Sudário existe apenas outra mancha com características semelhantes, chamada ‘Mancha em acordeão’, atribuída à mesma origem com mácula e, consequentemente, do tecido ter sido dobrado várias vezes em várias ‘partes’, ficando sobre o inverso da grande mancha central” acrescentou.

O estudo descreve com detalhe “os tecidos e órgãos que atravessaram o objeto pontiagudo em sua hipotética trajetória”.

E apoia “a hipótese de que quem administrou o ‘golpe de graça’ tinha experiência, pois ao colocar a folha da arma na posição horizontal poderia evitar facilmente as costelas, sem ter que tentar várias vezes, algo que aparentemente não aconteceu, pois não aparece o que denominamos na Medicina Forense ‘marcas das lesões’”.

Mais uma prova proveniente da botânica


Antes desta nova descoberta, no transcurso da investigação, “foi descoberto no Sudário de Oviedo um grão de pólen de uma planta que, segundo a paleóloga da EDICES, Marzia Boi, é compatível com a espécie botânica Helichrysum Sp., também identificada no Sudário de Turim”.

Os cientistas “descartaram tratar-se de uma contaminação posterior, pois está aderido ao sangue. Ou seja, chegou à relíquia no mesmo tempo que o sangue, e não foi de forma aleatória”.

A equipe liderada pelo Dr. Sánchez Hermosilla incluiu Jesús García Iglesias, professor de Minas da Universidade de Oviedo; Marzia Boi, paleóloga e bióloga; Juan Manuel Miñarro, professor no Departamento de Escultura da Universidade de Sevilha; Antonio Gómez Gómez e Felipe Montero Ortego.


segunda-feira, 22 de maio de 2017

A ciência impotente para explicar a imagem do Santo Sudário

O Dr Paolo di Lazzaro ao trabalho no ENEA.
O Dr Paolo di Lazzaro ao trabalho no ENEA.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A Agência Nacional da Itália para Novas Tecnologias, Energia e Desenvolvimento Econômico Sustentável – ENEA, após cinco anos de experimentos em seu Centro de Frascati, não conseguiu imitar “a cor que se encontra no tecido de linho do Santo Sudário”.

Os cientistas tentaram produzi-la sem sucesso, apelando para raios ultravioletas.

Em palavras simples, escreveu o “Vatican Insider”, não foi possível “identificar os processos físicos e químicos capazes de produzir cores semelhantes às que formam a imagem do Sudário”.


Os cientistas Di Lazzaro, Murra, Santoni, Nichelatti e Baldacchini partiram do último e único exame completo interdisciplinar do sagrado lençol, efetivado em 1978 pela equipe de cientistas americanos do STURP (Shroud of Turin Reasearch Project).

O novo relatório do ENEA desmente, quase sem esforço e com muita clareza, a hipótese de que o Santo Sudário possa ser uma falsificação medieval.

Hipótese que já se tentou veicular com insucesso explorando uma análise com Carbono 14 marcada por erros de procedimento e cálculo.

O documento do ENEA aponta outras circunstâncias que constituem um quebra-cabeça até hoje insolúvel:

“A dupla imagem (frontal e dorsal) de um homem flagelado e crucificado, fracamente visível no tecido de linho do Sudário de Turim, tem muitas características físicas e químicas de tal maneira peculiares, que tornam impossível obter em laboratório uma cor idêntica em todos os seus matizes, como já foi discutido em vários artigos e está listado nas referências bibliográficas.

“Esta incapacidade de replicar (e, por conseguinte, de falsificar) a imagem impede que se possa formular uma hipótese crível sobre o seu mecanismo de formação.

“De fato, até hoje a ciência ainda não é capaz de explicar como se originou a imagem do corpo no Sudário”.

Os especialistas Daniele Murra, Paolo Di Lazzaro e  Giuseppe Baldacchini que participaram nos trabalhos
Os especialistas Daniele Murra, Paolo Di Lazzaro e  Giuseppe Baldacchini
que participaram nos trabalhos
As primeiras análises experimentais das propriedades físicas e químicas da imagem do Santo Sudário foram realizadas em 1978 por 31 cientistas do projeto STURP.

Eles trouxeram dos EUA instrumentos de vanguarda de valor milionário no campo da espectroscopia de infravermelho, ultravioleta e visível, fluorescência de raios X, termografia e pirólise, espectrometria de massa, análise de micro-Raman, transmissão de fotografia, microscopia, remoção de fibrilas e teste microquímico.

Essas análises não encontraram quantidades significativas de pigmentos, como corantes ou vernizes, nem restos de desenhos. Por isso concluíram que a imagem não está pintada, nem impressa, nem foi obtida por aquecimento.

Acresce que a coloração da imagem reside apenas na parte mais externa e superficial das fibras constitutivas dos fios do tecido de linho. Medições recentes demonstram que a espessura da parte com cor é extremamente sutil.

Quer dizer, por volta de 200 micrômetros (= 200 milionésimos de metro), ou um quinto de milésimo de milímetro. Isto equivale à parede celular primária de cada fibra de linho. Cerca de 200 dessas fibras constituem um fio do tecido.

Trata-se de uma espessura quase impalpável, embora perceptível ao olho humano e captada tecnicamente com segurança.

Mais outros dados constatados pela equipe do STURP:

1) Há sangue humano no Santo Sudário, mas onde ele está presente não há imagem; portanto, não há imagem sob as manchas de sangue;

2) As nuances da cor contêm informações tridimensionais do corpo;

3) As fibras coloridas da imagem são mais frágeis que as coloridas;

4) A coloração superficial das fibras da imagem provém de um processo desconhecido que causou oxidação, desidratação e conjugação da estrutura da celulose do linho.

Santo Sudário: montagem tridimensional por Thierry Castex
Santo Sudário: montagem tridimensional por Thierry Castex
“Em outras palavras, a coloração é consequência de um processo de envelhecimento acelerado do linho”, escreve o ENEA.

Até hoje fracassaram todas as tentativas de reproduzir uma imagem com as mesmas características sobre um pano de linho.

Alguns cientistas conseguiram reproduzir alguns efeitos, mas ninguém logrou obter o conjunto de características do original.

“Neste sentido, a origem da imagem do Sudário hoje é desconhecida. 

“Esse é o ponto central do chamado ‘mistério do Sudário’: independente de sua data ou dos documentos históricos (...)

“a ‘pergunta das perguntas’ continua sendo a mesma: como foi gerada a imagem do corpo do Sudário?”.

E há ainda mais.

1) Há uma relação precisa entre a intensidade das nuances da imagem e a distância entre as partes do corpo e o tecido que o cobriu.

Porém, há partes do corpo retratadas na imagem que não podiam estar em contato com o tecido como se verifica acima e abaixo das mãos.

2) não estão presentes as deformações geométricas típicas de um corpo de três dimensões posto em contato com um lençol de duas dimensões. “Portanto, podemos deduzir que a imagem não se formou por contato do linho com o corpo”.

Estas características somadas à “extrema superficialidade da cor e a ausência de pigmentos (...) torna extremamente improvável obter uma imagem semelhante por meio de métodos químicos de contato, seja num laboratório moderno, ou com maior razão por obra de um hipotético falsificador medieval”.

O fato de não haver manchas de sangue sob a imagem significa que elas se formaram antes da imagem.

Portanto, a imagem do Santo Sudário se formou após a deposição do cadáver no Sepulcro.

Acresce que as manchas de sangue possuem contornos bem definidos, pelo que se pode pensar que o cadáver não foi carregado com o lençol.

“Faltam sinais de putrefação perto dos orifícios corpóreos. Esses sinais aparecem por volta de 40 horas depois da morte. Em consequência, a imagem não ser atribuída aos gases da putrefação, pois o cadáver não permaneceu no tecido durante mais de dois dias”.

Uma hipótese aventa a possibilidade de uma forma de energia eletromagnética (como seria um relâmpago de luz de onda curta), que poderia reproduzir as características do Sudário.

Porém, as tentativas de reproduzir uma imagem como a do Sudário usando raios laser foram frustras.

Santo Sudário: montagem tridimensional por Thierry Castex
Santo Sudário: montagem tridimensional por Thierry Castex
O ENEA tentou outra via, usando um flash de radiação direcional ultravioleta, obtendo resultados em algo comparáveis ao Santo Sudário.

Porém, advertem os cientistas do ENEA, “deve-se sublinhar que a potência total de radiação ultravioleta necessária para colorir instantaneamente a superfície de um tecido com o tamanho de um corpo humano de estatura média equivale a 34 trilhões de watts.

Essa potência torna impraticável a reprodução da imagem por inteiro, porque ela não pode ser produzida por fonte alguma construída até os dias de hoje. As mais potentes que se podem encontrar alcançam alguns bilhões de watts”.

34 trilhões de watts equivalem à produção total da hidrelétrica de Itaipu durante 20 minutos no ápice de seu funcionamento (103.098.355 Megawatts por hora em 2016).

O trabalho do ENEA encerra dizendo que “não chegamos a uma conclusão, estamos compondo as pecinhas de um quebra-cabeça científico fascinante e complexo”.

Enquanto os cientistas continuam debatendo, nós, pobres homens, com toda a nossa ciência e tecnologia, ficamos maravilhosamente postos na nossa dimensão de criaturas diante da infinitude de poder de Deus e da imensidade do milagre espiritual e material da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.


Físicos do ENEA na TV Raitre: “a imagem do Sudário hoje não é reproduzível”




segunda-feira, 8 de maio de 2017

Segundo maior sítio arqueológico da região de Jerusalém
confirma abolição do culto aos ídolos por Ezequias

Laquis ou Tel Lachish, vista aérea do maior sítio arqueológico perto de Jerusalém
Laquis ou Tel Lachish: vista aérea do maior sítio arqueológico perto de Jerusalém
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A antiga porta da cidade de Laquis (Tel Lachish em hebraico), que servia de templo idolátrico e foi demolida pelo rei Ezequias no século VIII a.C., foi identificada e desenterrada por cientistas de Israel, noticiaram sites voltados para a arqueologia, como Live Science.

As ruínas desse portão-santuário confirmaram aquilo que a Bíblia nos transmite a respeito de Ezequias, 12º rei de Judeia, que se empenhou em abolir o culto aos ídolos, reconheceu a Autoridade de Israel para as Antiguidades (IAA, na sigla em inglês).

O rei Acaz, pai de Ezequias, era tido em conta de deidade. Por isso, assim que Ezequias assumiu o trono, ordenou a destruição em todo o reino dos ídolos de qualquer tipo, incluindo objetos com formas humanas ou animais que o povo cultuava achando que tinha algo de divino.

Assim diz o II livro dos Reis:

1. No terceiro ano do reinado de Oséias, filho de Ela, rei de Israel, Ezequias, filho de Acaz, rei de Judá, começou a reinar.

O rei Ezequias representado junto com o profeta Isaías na coroa do Sacro Império Romano-Alemão, século X. Schatzkammer, Viena.
O rei Ezequias representado junto com o profeta Isaías
na coroa do Sacro Império Romano-Alemão,
século X. Schatzkammer, Viena.
2. Tinha vinte e cinco anos quando subiu ao trono, e reinou durante vinte e nove anos em Jerusalém. Sua mãe chamava-se Abi, filha de Zacarias.

3. Fez o que é bom aos olhos do Senhor, como Davi, seu pai.

4. Destruiu os lugares altos, quebrou as estelas e cortou os ídolos de pau asserás. Despedaçou a serpente de bronze que Moisés tinha feito, porque os israelitas tinham até então queimado incenso diante dela. (Chamavam-na Nehustã).

5. Ezequias pusera sua confiança no Senhor, Deus de Israel; não houve outro como ele, entre todos os reis de Judá, tanto entre os predecessores como entre seus sucessores.

6. Conservou-se unido ao Senhor, e nunca se desviou dele, e observou todos os mandamentos que o Senhor prescreveu a Moisés.

7. Por isso o Senhor esteve com ele e fê-lo bem sucedido em todos os seus empreendimentos. (II Reis, 18, 1-7)

O portão-santuário de Laquis (Tel Lachish) mede 24,5m x 24,5m e comporta seis salas, três de cada lado. A rua central da cidade passava pelo meio, constrangendo o povo a atravessar o templo idolátra.

A parte norte desse portão-santuário já havia sido desenterrada por arqueólogos britânicos e da Universidade de Tel Aviv.

Na fase atual foi desentulhada a totalidade da porta, a maior de Israel do período do Primeiro Templo construído pelo rei Salomão.

“O tamanho da porta concorda com o conhecimento histórico e arqueológico que possuímos”, disse Sa'ar Ganor, diretor das escavações.

Segundo o relato bíblico, “tudo acontecia” nas portas da cidade de Laquis (Tel Lachish), onde havia sido erigido o templo contrário à Lei de Moisés.

Os personagens de alto nível, como os anciãos da cidade, juízes, governadores, reis e oficiais, sentavam-se nos degraus desse templo, segundo os relatos. E esses degraus foram encontrados, explicou Ganor.

Laquis ou Tel Lachish: restos que permitem identificar as atividades no local
Laquis ou Tel Lachish: restos que permitem identificar as atividades no local
Ze'ev Elkin, ministro do Meio ambiente e proteção cultural de Jerusalém, também membro do Parlamento, sublinhou que a descoberta prova que muitas coisas tidas como “lendas bíblicas” na verdade relatam fatos genuinamente históricos, corroborados pela arqueologia.

Foram também desenterrados restos de objetos, inclusive armas provavelmente destinadas às movimentações militares do Reino de Judá em guerra contra Senaqueribe, rei da Assíria, no final do século VIII a.C., disse a IAA.

“O portão-santuário incluía degraus ordenados como uma escada ascendente rumo a uma grande sala onde havia um altar sobre o qual eram colocadas as oferendas aos deuses”, explicou Ganor.

“Encontramos dois altares de quatro chifres e dezenas de cerâmicas resultantes de lâmpadas, tigelas e estandes nessa sala. No entanto, os chifres do altar foram cortados intencionalmente.

“Isso provavelmente é prova da reforma religiosa do Rei Ezequias, que centralizou o culto religioso em Jerusalém e destruiu os templos construídos fora da capital”, disse Ganor.

Entre os objetos desenterrados, os arqueólogos encontraram uma pedra entalhada para ser latrina num canto do portão. Segundo a IAA, essa peça deve ter tido um significado simbólico.

A Bíblia menciona, em outras partes, o costume de instalar toaletes em locais de culto pagão com a finalidade de execrar as falsas religiões neles veneradas ou adoradas.

O rei Jeú, por exemplo, ordenou a extinção do culto de Baal, deidade impura símbolo do demônio, espalhado na Samaria.

Laquis ou Tel Lachish: latrina simbólica instalada no local para manifestar a execração pelo culto falso ali praticado
Laquis ou Tel Lachish: latrina simbólica instalada no local
para manifestar a execração pelo culto falso ali praticado
O segundo livro dos Reis fala do fato:

25. Terminados os holocaustos [N.T.: dos sacerdotes de Baal], ordenou Jeú aos guardas e aos oficiais: Entrai e feri-os! Não deixeis escapar nenhum deles! E assim caíram todos ao fio da espada. Depois disso, os guardas e oficiais lançaram fora (os cadáveres), entraram no santuário do templo de Baal,

26. tiraram dali o ídolo e o queimaram.

27. Derrubaram a estela de Baal e demoliram o templo, transformando-o em privadas, que ainda hoje existem.

28. Foi assim que Jeú exterminou Baal de Israel. (II Reis, 10: 25-27)

Fatos análogos estão consignados no Antigo Testamento, mas até agora nunca tinham sido achados restos das referidas privadas ou peças semelhantes.

Desta vez, o costume ficou comprovado com objetos de pedra, segundo explicou o IAA.

Testes de laboratório sugerem que a privada de pedra desenterrada jamais foi usada, mas tinha um objetivo simbólico alusivo à baixeza e repugnância do falso culto.

Arqueiros assírios: relevo permite imaginar os soldados de Senaquerib.
Arqueiros assírios: baixo-relevo permite imaginar os soldados de Senaquerib.
A porta-santuário foi selada e posteriormente destruída por Senaqueribe (rei da Assíria de 705 a 681 a.C.), que em 701 tentou infrutiferamente se apoderar de Jerusalém e acabou morrendo em Nínive, na Caldéia.

As escavações trouxeram à luz restos de armas reveladores de combates militares corpo-a-corpo perto da porta, relacionados com a campanha militar de Senaqueribe.

Essa operação guerreira também só era conhecida pelo relato do segundo livro dos Reis, capítulo 18, e pelo segundo livro das Crônicas, capítulo 32, e agora ficou provada empiricamente.

Também no palácio de Senaqueribe, em Nínive, haviam sido recuperados baixos-relevos entalhados nos muros que faziam menção à batalha e à conquista de Laquis (Tel Lachish).

Mais uma vez as descobertas científicas confirmaram a historicidade dos episódios narrados nos Livros Sagrados.



segunda-feira, 24 de abril de 2017

Decifrado no Santo Sudário o certificado do enterro de Jesus

Inscrições identificadas no Santo Sudário: 1. (I)esou(s) = Jesus; 2. Nnazarennos = Nazareno;
3. (o)pse kia(tho) = preso no início da noite; 4. in nece(m) = à morte; 5. pez(o) = eu executo.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Desde 1978, um grupo de especialistas vinha identificando letras em torno do rosto do Santo Sudário. Essas foram sendo registradas e fotografadas.

Mas só nos últimos anos foram objeto de um estudo sistemático por especialistas abalizados.

Em 1978 o engenheiro químico Pietro Ugolotti identificou alguns sinais de geometria precisa que evocavam caracteres alfabéticos e pareciam formar palavras.

O cientista tirou imagens desses sinais e as submeteu à analise de um especialista de escrituras antigas, o professor Aldo Marastoni da Universidade Católica de Milão.

O professor Marastoni confirmou a intuição do engenheiro Ugolotti, acrescentando que o estilo era de um escrito muito antigo provavelmente da época romana.

No ano 1994, Marcel Alonso e Eric de Bazelaire, membros do Centre International d’Études sur le Linceul de Turin, de Paris, apresentaram o problema ao Institut d’Optique Théorique et Appliquée d’Orsay, na própria Paris.

Eles se dirigiam a André Marion, especialista em ótica que havia desenvolvido uma tecnologia capaz de reconhecer escritos apagados em Códices sobre os quais foram escritos outros textos.

Nesses casos os escritos originais deixaram de ser visíveis pelo olho humano, mas a tecnologia de Marion permitia recupera-los.

Marion e Anne-Laure Courage que era engenheira na École Supérieure d’Optique de Paris e investigadora no Institut d’Optique d’Orsay, publicaram os resultados de suas pesquisas em 1998 (“Discovery of Inscriptions on the Shroud of Turin by Digital Image Processing”, in OE, vol. 37, n. 8, agosto 1998, págs. 2308-2313).

Os resultados confirmavam por meio do processamento informático que aquelas inscrições no Santo Sudário são efetivamente restos de algo escrito.

Tratava-se de sequencias de letras gregas, latinas e hebraicas que não pareciam ter sido inscritas sobre o véu de linho. Presumivelmente foram registradas em fitas coladas ao Santo Sudário cujos contornos parecem ser perceptíveis pelo olhar humano.

As inscripções não são visíveis pelo olho humano; e foi preciso recorrer à informática.
As inscripções não são visíveis pelo olho humano;
e foi preciso recorrer à informática.
A suposição é de que aquilo que estava escrito embebeu o tecido de linho.

Elas podem ser visualizadas trabalhando o negativo fotográfico e aumentando o contraste com computador.

Os trabalhos que aprofundaram a tridimensionalidade da imagem do Homem do Sudário tornaram mais fácil reconhecer as letras nos anos seguintes. Cfr 30Giorni.

Mas, a final, o que diziam essas palavras?

Barbara Frale, historiadora medieval no Arquivo Secreto Vaticano, conseguiu decifrá-las.

Trata-se de palavras em grego, latim e aramaico (a língua falada por Jesus). A matéria foi objeto de uma reportagem de “Rome reports” visualizável no fim do post.

Para compreender mais exatamente o que essas palavras queriam dizer, a especialista estudou a legislação romana e judaica vigente na Palestina nos anos 30, década da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor.

As inscrições identificadas no Santo Sudário significam (ver imagem no início do post): 1. (I)esou(s) = Jesus; 2. Nnazarennos = Nazareno; 3. (o)pse kia(tho) = preso no início da noite; 4. in nece(m) = à morte; 5. pez(o) = eu executo.

Bárbara Frale concluiu: “O significado dessas palavras alude à morte de um personagem chamado Iesoys Nnazarennos, que é o mesmo nome que encontramos nos quatro Evangelhos”.

Esse certificado de óbito tem uma razão de ser precisa e era comum naquele tempo.

Frale explica que “os condenados a morte não podiam ser enterrados no túmulo de sua família. Eles tinham que passar 12 meses na sepultura pública, que era administrada pelo tribunal de Jerusalém.

“Só após esses 12 meses é que o corpo podia ser entregue à família, para que esta o enterrasse junto com os parentes”.

No caso de Nosso Senhor, São José de Arimateia e São Nicodemos – discípulos de Jesus e ricos membros do Sinédrio, máxima autoridade religiosa dos judeus no tempo – pediram ao governador romano Pôncio Pilatos que o corpo não fosse posto na fossa comum.

E propuseram que fosse enterrado no túmulo que José de Arimateia tinha mandado cavar para sua família. Esse é o atual Santo Sepulcro, onde se operou o milagre da Ressurreição.

A especialista explica que “foi necessário ‘etiquetar’ o cadáver, porque naquele sepulcro outros membros da família de José de Arimateia poderiam vir a ser enterrados, e o corpo de Jesus devia ser entregue a seus familiares após os 12 meses prescritos pela lei”.

Foi por isso que após o cadáver do Redentor ser envolto na rica vestimenta mortuária disposta por Nossa Senhora, que incluía o Santo Sudário, foram coladas em torno da cabeça algumas faixas de papiro nas quais estava escrito com letras grandes quem era o defunto.

Mais ainda, “estava escrito o nome do defunto, o dia da morte, o motivo da condenação e a data em que os restos do corpo podiam ser entregues à família, assim que fosse completada essa peculiar sanção post-mortem”.

Esses dados coincidem plenamente com os dos Evangelhos, diz a autora do pormenorizado estudo.

Segundo ela, as faixas de papiro ficaram coladas ao Santo Sudário durante alguns séculos e, em virtude de reações químicas, alguns restos da tinta acabaram passando ao sagrado lençol.

“A tinta com que foram escritas as palavras devia incluir algum elemento metálico que entrou em interação química com a celulose do linho e ficou impresso no Santo Sudário”.

Bárbara Frale não se limitou a seus estudos, mas os submeteu a uma crítica externa. E solicitou o parecer de um grupo de paleógrafos sobre a data em que ditas palavras foram escritas, sem lhes dizer de onde procediam.

A Paleografia é a ciência que estuda os textos manuscritos antigos e medievais, a origem, a forma e a evolução da escrita, independentemente do tipo de suporte físico, do material utilizado para proceder ao registro, do lugar onde foi usada, do povo que a utilizou e dos sinais gráficos que adotou.

Os paleógrafos responderam que dita caligrafia é de por volta do primeiro século, confirmando assim que as inscrições são da época de Nosso Senhor.

Ficou desse modo resolvido mais um mistério do Santo Sudário em consonância com o imenso caudal de conhecimentos científicos que vêm se acumulando nas últimas décadas.



Descobrem no Santo Sudário restos do certificado de sepultura de Jesus (em espanhol) 





Descobrem no Santo Sudário restos do certificado de sepultura de Jesus (em inglês) 





segunda-feira, 10 de abril de 2017

Santo Sepulcro: um “túmulo vivo”:
um vazio cheio da presença de Cristo

O Santo Sepulcro  um “túmulo vivo”, um vazio cheio da presença de Cristo
O Santo Sepulcro  um “túmulo vivo”, um vazio cheio da presença de Cristo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Um inesperado desarranjo em máquinas de alta tecnologia surpreendeu os cientistas que trabalhavam na restauração da Edícula.

Essa é uma capelinha construída no século XIX sobre o Santo Sepulcro na grande igreja que resguarda o local da Crucificação e da Ressurreição de Jesus Cristo em Jerusalém, informou a EWTN.

Uma equipe de cientistas internacionais muito qualificados foi autorizada a chegar até a própria pedra sobre a qual repousou o corpo sagrado do Redentor. E informaram que durante os trabalhos aconteceram fenômenos estranhos.

Bem analisados, eles vêm em apoio não só da autenticidade do Santo Sepulcro, mas também do Santo Sudário guardado em Turim, o qual continua sendo objeto de intensos trabalhos de estudo por um vasto leque de ciências.

O fato aconteceu na basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém, nos dias 26, 27 e 28 de outubro de 2016. Além dos cientistas, ele foi testemunhado pelas autoridades religiosas que vigiavam o andamento da remoção da placa de mármore que cobre o túmulo de Cristo.

Marie-Armelle Beaulieu, chefe de redação da revista “Terre Sainte Magazine”, uma das poucas jornalistas autorizadas a entrar no túmulo sagrado, informou que alguns instrumentos de medição usados pelos especialistas ficaram perturbados por efeitos eletromagnéticos quando eram posicionados na pedra sobre a qual repousou Jesus morto.

Os instrumentos passaram a funcionar mal ou simplesmente pararam.

O fenômeno foi comunicado pela professora Antonia Moropoulou, chefe da equipe de arqueólogos responsável dos trabalhos.

As perturbações eletromagnéticas que sofreram os equipamentos convergem com os dados conhecidos sobre o Santo Sudário de Turim
As perturbações eletromagnéticas que sofreram os equipamentos
convergem com dados recolhidos no Santo Sudário de Turim.
Ela possui grande experiência em restauração de tesouros arqueológicos, tendo trabalhado na restauração do Parthenon de Atenas, do templo de Luxor no Egito, e em outros locais históricos que falam de sua competência.

“Lamentamos – disse ela aos responsáveis religiosos –, mas nossos aparelhos foram atingidos. Eles não funcionam. Eu não posso vos dizer mais” (a partir do minuto 19 do vídeo embaixo).

Os aparelhos acabaram sendo consertados, mas até hoje a falha permanece inexplicável.

“Há por vezes fatos que não se podem explicar. Mas aqui estamos num túmulo vivo, o túmulo de Cristo. Todo o mundo pode compreender que há fenômenos naturais que podem perturbar os campos eletromagnéticos.

“Mas é preciso simplesmente admitir que a força em que nós cremos e na qual pensamos também faz parte”, acrescentou a professora, que é cristão-cismática, mas que deixou de lado sua crença para não interferir em seu labor científico, em declarações registradas por FranceTV.info.

Ela explicou ainda que foram descobertas infiltrações na pedra, e outros fatores de fraqueza na base de calcário da basílica, que postulam mais trabalhos.

Se as escavações prosseguirem no futuro, poder-se-ia encontrar a entrada original do Santo Sepulcro.

A professora afastou qualquer ideia de algum exagero de fundo religioso em algum dos profissionais engajados no trabalho.

Segundo ela, é verdadeiramente difícil imaginar que um cientista deste gabarito pudesse pôr em perigo sua reputação para ter repercussão na imprensa.

Os arqueólogos também ficaram surpresos pela proximidade do Santo Sepulcro em relação à lápide superior que o cobria. Os aparelhos tinham indicado uma profundidade muito maior.

Eles concluíram que os instrumentos falharam por causa de perturbações eletromagnéticas.

O registro de uma inusual perturbação eletromagnética no Santo Sepulcro reforçou a hipótese científica de que no momento da Ressurreição o Corpo de Cristo teria emitido uma irradiação de uma intensidade que os maiores equipamentos modernos não são capazes de imitar.

Porém, um relâmpago luminoso acontecido no momento do milagre, de uma potência estimada teoricamente em 34 trilhões de watts, teria possivelmente causado a impressão da imagem do corpo de Cristo no Santo Sudário de Turim.

Numa comparação primária, isso equivale a toda a energia gerada por Itaipu durante 20 minutos no auge de sua atividade, mas disparada num flash de um instante.

O inusual fenômeno no local do túmulo de Cristo 2.000 anos após a Ressurreição poderia ter sido um eco daquela formidável emanação.

Meditação: o perfume da presença de Cristo no Santo Sepulcro


A primeira ideia do Santo Sepulcro de Nosso Senhor que se apresenta espontaneamente para a criança – e eu me lembro que foi comigo – é a de Nosso Senhor, a suma perfeição, a suma bondade, a suma santidade, deitado no túmulo.

Foi cometida uma injustiça tremenda, uma maldade horrorosa contra Ele.

Mas, de outro lado, o Sepulcro ficou como que perfumado pela presença do corpo dEle todo sacrossanto.

E, portanto, o Sepulcro no qual o corpo dEle uma vez estivera presente ficou embalsamado de respeitabilidades e de sacralidades, por um processo misterioso de contágio do sagrado.

Pelo fato do sagrado cadáver dEle ter tocado naquilo, o Santo Sepulcro ficou respeitável e participa da respeitabilidade dEle.

O Sepulcro está vazio, mas Ele tinha estado lá dentro. E, portanto, ficou respeitável e venerável a um grau inimaginável.

Bonito imaginar na noite da ressurreição de Nosso Senhor, o cadáver dEle que de repente começa a se mexer.

Já antes o Santo Sepulcro estava cheio de anjos e cheio de luz.

Nesta luz, Ele começa a se mexer. Não é um brusco levantar-se. E depois se levanta.

Pensar que aquele cadáver lívido vai retomando cores!

O inimaginável se dá, Aquele que não podia morrer ressuscita!... é uma coisa fantástica!

No Santo Sepulcro coexistem a majestade com a grandeza de Nosso Senhor.

E para ter bem uma ideia disso bastaria tomar a face do Santo Sudário e imaginar Nosso Senhor no Santo Sepulcro com aquela face, expressando suas maiores doçuras.

Ele se mostraria de uma ternura inimaginável proporcionada à infinita majestade do Santo Sudário!

A consideração disto faz do católico um herói e um batalhador pela Igreja e pela Cristandade.

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excerto de coletânea de comentários)

O debate científico está aberto e provavelmente ainda ouviremos novas e/ou melhores hipóteses.

Porém, o fato está aí, como também a pequenez dos homens, para glória de Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitado, Criador do Céu e da Terra e nosso Santo Redentor.

MAIS SOBRE O SANTO SEPULCRO

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A Francetv.info preparou um programa especial sobre os trabalhos concluídos no Santo Sepulcro, intitulado “Nas pegadas de Jesus”. VER EMBAIXO

Entrevistou longamente Marie-Armelle Beaulieu, um dos poucos jornalistas que puderam ingressar no túmulo de Jesus no momento em que foi aberto.

Havia duzentos anos que ninguém tinha chegado tão perto dessa lápide sagrada.

Marie-Armelle edita o jornal da Custódia da Terra Santa “Terre Sainte Magazine”, conhece Jerusalém e a basílica do Santo Sepulcro na palma da mão.

Não faltavam – e não faltarão – aqueles que semeavam dúvidas sobre se o Corpo de Cristo havia sido verdadeiramente enterrado lá.

Milhões de peregrinos vão oscular piedosamente todos os anos os principais locais da Paixão de Cristo e de sua gloriosa Ressurreição, conservados na basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém.

Esses incontáveis milhões de fieis testemunham a impregnação sobrenatural do local.

Para eles, como para todos os que têm Fé, esse é o critério determinante para uma adesão firme e lúcida da vontade.

Porém, após 2.000 anos de guerras e destruições, faltavam documentos que confirmassem “pão-pão, queijo-queijo”, que aquele era o local.

Os trabalhos começaram devido ao deplorável estado da capelinha conhecida como Edícula, construída no início do século XIX sobre o Santo Sepulcro.

A restauração exigiu reforço dos fundamentos, sendo para isso necessário aprofundar-se nas camadas inferiores da pedra do local.

O Santo Sepulcro restaurado já reaberto aos fiéis
O Santo Sepulcro restaurado já reaberto aos fiéis
O trabalho implicava escavar até o próprio Santo Sepulcro.

E assim foi feito. Os cientistas tiveram 60 horas para perscrutá-lo, com todos os equipamentos que levaram. Cumprido o prazo, o túmulo foi reposto como estava com as devidas restaurações.

Tudo ficou registrado com múltiplos equipamentos devidamente consertados, e esses dados alimentarão estudos e teorias nos próximos anos.

Marie-Armelle Beaulieu entrou no Santo Sepulcro quando os operários tinham ido deitar. A força estava desligada e ela iluminou o pequeno local com seu smartphone.

Mas antes quis certificar-se de que tudo estava perfeitamente vazio. Não havia qualquer indicação material que dissesse que aquele era o túmulo de Jesus. Se tivesse havido alguma urna, vaso ou osso, isso teria deposto contra a Ressurreição.

Tendo Cristo ressuscitado, nada ficou de seu Sacrossanto Corpo, com exceção dos tecidos mortuários recolhidos pelos discípulos, impregnados com seu Sangue e hoje venerados como o Santo Sudário de Turim.

Espiritualmente, Marie-Armelle levou um choque tremendo:

“Foi algo muito forte. Entrei e vi que não havia nada para ver. E nisso estava o extraordinário. Pedem-me que fale sobre o nada, porque não há nada para ver. E, entretanto, ali estava a presença de Jesus!”, concluiu.


Vídeo: Mistérios nas pegadas de Jesus no Santo Sepulcro (em francês)





O que foram achando os cientistas




segunda-feira, 27 de março de 2017

Arqueólogos e peritos policiais investigam casas de Lutero
e descobrem fatos sobre o fundador do protestantismo

Casa natal de Lutero em Eisleben
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






A arqueologia às vezes traz surpresas onde menos se imaginaria. É o caso, ao menos, da vida privada do heresiarca Martinho Lutero, fundador do protestantismo.

O "Der Spiegel", a maior revista alemã, já publicou singular reportagem com fundamento arqueológico e policial, sobre o iniciador da Revolução Protestante cujos 500 anos se comemoram em 2017.

As descobertas fizeram parte duma exposição que verteu nova luz sobre a vida privada do frade que abandonou sua religião, informou Der Spiegel. A amostra ficou aberta ao público no Museu de Pré-História do Estado Alemão em Halle, entre 2008 e 2009.

Compreende-se que não tenha durado muito.
O catálogo descreve o conteúdo da exibição como "sensacional", dizendo que ele nos permite reexaminar "capítulos inteiros da vida humana" do ex-frade, escreveu Der Spiegel.
As escavações no Mosteiro de Wittenberg onde ele viveu longamente foram conduzidas pelo arqueólogo Mirko Gutjahr.

Peritos legais e arqueólogos analisaram com critérios policiais o lixo das casas em que nasceu, viveu e morreu o instigador da revolta protestante, em Eisleben, Mansfeld e Wittemberg, na Alemanha.

O laudo técnico constatou desonestidade nas descrições que o pai do protestantismo fez de si próprio.

Por exemplo, provou que Lutero mentiu dizendo ser filho de um “minerador pobre” cuja “mãe carregava toda a madeira nas costas até em casa”.

Antigo mosteiro agostiniano em Wittemberg expropriado pela revolta protestante
onde Lutero viveu grande parte de sua vida em revolta contra a Igreja.
Na verdade, o pai de Lutero dirigia fundições de cobre, tinha boas conexões com a administração real das minas, era agiota e dono de terras. Escreveu o Speigel:
Em 1484, quando Martinho Lutero ainda era criança, a família se mudou para Mansfeld, onde o pai logo se tornou um capataz bem sucedido.

Ele operava três fundições de cobre, era dono de 80 hectares (198 acres) de terra e emprestava dinheiro a juros.

O tamanho e grandiosidade de sua casa, conforme revelou a escavação, estavam de acordo com seu status econômico.

"A frente da casa, que dava para a rua, tinha 25 metros de comprimento", diz o arqueólogo Björn Schlenker. A escavação revelou grandes cofres no porão e um quintal cercado por grandes construções.
As casas em que viveu eram próprias de burgueses ricos.

Em uma delas encontraram grandes cofres no porão.

Os brinquedos que Lutero usou quando criança, poucas famílias podiam comprar.

Sobre seu nível de vida nos últimos anos de existência, a reportagem do Spiegel acrescentou:
Máscara mortuária de Lutero exibida na igreja do Mercado, em Halle, Alemanha
O pensador era tremendamente prolífico, escrevendo uma média de 1.800 páginas por ano.

Seu tom tornou-se cada vez mais brusco com o passar dos anos.

Ele chamou os turcos de "demônios", os judeus de "mentirosos" e qualificou os sacerdotes católicos de homossexuais "irmãos de jardim que fazem aquilo uns com os outros".

Roma, escreveu Lutero na sua linguagem habitualmente torpe, estava infestada de "porcos-teólogos".

Depois de escrever palavras tão afiadas, o eloquente reformista comia em tigelas de cerâmica e bebia de jarras turcas magníficas.

Os arqueólogos encontraram azulejos de forno decorados com motivos do Velho Testamento, além de mais de 1.600 cacos de copos que Lutero, um glutão voraz, usava para matar sua sede considerável de cerveja.
As seitas protestantes obviamente não gostaram da análise e de seus resultados ...

Para conhecer mais sobre o que ensinava de fato Lutero, veja o interessante e erudito trabalho do Pe. Leonel Franca S.J., fundador da Universidade Católica de Rio de Janeiro, da qual foi Reitor magnífico durante oito anos.



segunda-feira, 13 de março de 2017

Os mais antigos retratos dos Apóstolos
estão sendo recuperados nas Catacumbas

São Paulo no medalhão Embaixo Abraão e Issac.  Túmulo de uma aristocrática dama romana anexo à catacumba de Santa Tecla, Roma
São Paulo no medalhão.
Túmulo de uma aristocrática dama romana
anexo à catacumba de Santa Tecla, Roma
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Em 2010 foram descobertos os retratos mais antigos dos Apóstolos São Pedro, São Paulo, São João e Santo André.

Eles estavam numa catacumba recuperada sob um moderno prédio de uma empresa de seguros em Roma.

As imagens datam da segunda metade do século IV e decoram o teto do túmulo de uma aristocrática dama cristã ligado à catacumba de Santa Tecla.

Eles vinham sendo trabalhados pelos restauradores com técnicas laser para queimar acumulações sedimentares seculares de sais e desvendar os originais em todo seu esplendor.

Os rostos dos Apóstolos aparecem em medalhões nos quatro cantos da sala principal.

Eles fazem parte de um conjunto pictórico mais vasto que rodeia uma imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo apresentado como o Bom Pastor, que foi sendo revelado em fases sucessivas.

“Estas são as primeiras imagens dos Apóstolos”, anunciou Fabrizio Bisconti, superintendente das catacumbas, por indicação da Comissão Pontifícia para a Arqueologia Sagrada, citado por Fox News.

As cores predominantes são o ocre, o preto, o verde e o amarelo.

As catacumbas contêm algumas das primeiríssimas provas do culto e devoção aos Apóstolos no nascente cristianismo, explicaram representantes do Vaticano.

No centro, Jesus como o Bom Pastor, nos ângulos os Apóstolos Pedro, Paulo, João e André
No centro, Jesus como o Bom Pastor, nos ângulos os Apóstolos Pedro, Paulo, João e André
Barbara Mazzei, responsável pelo trabalho de restauração, disse que todas as descrições anteriores de São Pedro e São Paulo se encontravam em narrações escritas.

Mas agora temos seus rostos fixados nos quatro cantos da pintura do teto da sala subterrânea, num posicionamento devocional por natureza.

Por isso são os mais antigos ícones religiosos conhecidos até o presente, noticiou oportunamente o jornal “The Dallas Morning News”.

Barbara Mazzei explicou que, em atenção ao ano de São Paulo, comemorado em 2009, foi anunciada primeiramente a descoberta da pintura do Apóstolo das Gentes.

Leia mais sobre o verdadeiro rosto e sobre os restos de São Paulo:
Dois milênios após a morte de São Paulo restauradores descobriram sua mais antiga imagem
Sim! Aqui está o túmulo de São Paulo Apóstolo! Testes confirmam


Porém, os especialistas sabiam que uma crosta de carbonato de cálcio cobria mais imagens e que poderiam ser apresentadas a público somente após completar sofisticadas tarefas de limpeza.

Santo André
Santo André
Por fim, o momento do extraordinário anúncio chegou.

Apresentando as imagens aos jornalistas, monsenhor Giovanni Carru disse que as catacumbas “são um testemunho eloquente do Cristianismo em suas origens”.

A sala sepulcral da nobre romana católica passou a ser denominada “Cubículo dos Apóstolos” devido aos afrescos ali descobertos.

Já os especialistas a chamam de “O Colégio dos Apóstolos”, representado em torno do Bom Pastor.

Fabrizio Bisconti explicou que nas pinturas das catacumbas pode se contemplar “a gênese, as sementes da iconografia cristã”, desde o simples peixe usado para simbolizar a Cristo até o próprio Cristo ressuscitando a Lázaro.

“Esse foi o tempo em que o culto dos Apóstolos estava nascendo e se desenvolvendo” e a arte das catacumbas não pintava somente os mártires ou cenas bíblicas.

Na mesma sala há afrescos representando o profeta Daniel na cova dos leões, os três Reis Magos entregando presentes ao Menino Jesus, o sacrifício de Isaac por Abraão.

Numa outra parede está representada a nobre dama que teria mandado fazer as pinturas, ornada com joias, véu e um “estilo de penteado de cabelo”, símbolo de categoria social elevada na antiga Roma, acrescentou Bisconti.

São Pedro
São Pedro
Mazzei contou que quando os restauradores ingressaram na câmera mortuária em 2008, todas as paredes apareciam inteiramente brancas, cobertas pela crosta de carbonato de cálcio com 4 a 5 cm de espessura.

O Vaticano, entretanto, possuía documentos atestando que no local havia pinturas nas paredes e isso impulsionou a procura.

No passado os restauradores teriam usado bisturis e escovas de aço para remover a crosta branca, mas havia o perigo de danificar as pinturas procuradas.

O uso do laser resolveu o problema.

Temia-se, porém, que a umidade ambiente e a falta de ar pudesse prejudicar o uso da nova tecnologia.

Os pesquisadores tiveram que avançar cautelosamente, fazendo da iniciativa um “laboratório experimental” do aproveitamento do laser em condições extremas adversas.

São João
São João
A descoberta veio além do mais confirmar que a devoção aos Santos representados em imagens é própria do cristianismo original, devoção desenvolvida nas catacumbas e depois nas igrejas a céu aberto.

Ficou desprovida de fundamento a alegação feita por iconoclastas orientais, muçulmanos, protestantes e “modernistas” hodiernos, segundo a qual o uso e o culto de imagens não correspondem ao cristianismo autêntico e original.

Segundo essas versões anticatólicas e anti-históricas, o culto das imagens seria uma deturpação.

Tal perversão do culto, dizem eles, aconteceu quando os primeiros cristãos saíram das catacumbas e passaram a imitar os cultos pagãos que idolatravam esculturas de pedra, madeira ou pinturas antropomórficas.

O culto das imagens corresponde bem à Igreja desde seus primórdios, sendo merecedor de encômio no espírito da doutrina tradicional bimilenar do Catolicismo.

As catacumbas de Santa Tecla não estão abertas ao público em geral, mas pode se pedir autorização na referida comissão vaticana para visitas em grupo, guiadas por especialistas.


Vídeo: Vaticano apresenta as imagens mais antigas dos Apóstolos





Descubiertos los retratos más antiguos de San Juan, San Andrés y San Pablo (espanhol)




The oldest portraits of Sts. Andrew, John and Paul discovered (inglês)