segunda-feira, 8 de maio de 2017

Segundo maior sítio arqueológico da região de Jerusalém
confirma abolição do culto aos ídolos por Ezequias

Laquis ou Tel Lachish, vista aérea do maior sítio arqueológico perto de Jerusalém
Laquis ou Tel Lachish: vista aérea do maior sítio arqueológico perto de Jerusalém
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





A antiga porta da cidade de Laquis (Tel Lachish em hebraico), que servia de templo idolátrico e foi demolida pelo rei Ezequias no século VIII a.C., foi identificada e desenterrada por cientistas de Israel, noticiaram sites voltados para a arqueologia, como Live Science.

As ruínas desse portão-santuário confirmaram aquilo que a Bíblia nos transmite a respeito de Ezequias, 12º rei de Judeia, que se empenhou em abolir o culto aos ídolos, reconheceu a Autoridade de Israel para as Antiguidades (IAA, na sigla em inglês).

O rei Acaz, pai de Ezequias, era tido em conta de deidade. Por isso, assim que Ezequias assumiu o trono, ordenou a destruição em todo o reino dos ídolos de qualquer tipo, incluindo objetos com formas humanas ou animais que o povo cultuava achando que tinha algo de divino.

Assim diz o II livro dos Reis:

1. No terceiro ano do reinado de Oséias, filho de Ela, rei de Israel, Ezequias, filho de Acaz, rei de Judá, começou a reinar.

O rei Ezequias representado junto com o profeta Isaías na coroa do Sacro Império Romano-Alemão, século X. Schatzkammer, Viena.
O rei Ezequias representado junto com o profeta Isaías
na coroa do Sacro Império Romano-Alemão,
século X. Schatzkammer, Viena.
2. Tinha vinte e cinco anos quando subiu ao trono, e reinou durante vinte e nove anos em Jerusalém. Sua mãe chamava-se Abi, filha de Zacarias.

3. Fez o que é bom aos olhos do Senhor, como Davi, seu pai.

4. Destruiu os lugares altos, quebrou as estelas e cortou os ídolos de pau asserás. Despedaçou a serpente de bronze que Moisés tinha feito, porque os israelitas tinham até então queimado incenso diante dela. (Chamavam-na Nehustã).

5. Ezequias pusera sua confiança no Senhor, Deus de Israel; não houve outro como ele, entre todos os reis de Judá, tanto entre os predecessores como entre seus sucessores.

6. Conservou-se unido ao Senhor, e nunca se desviou dele, e observou todos os mandamentos que o Senhor prescreveu a Moisés.

7. Por isso o Senhor esteve com ele e fê-lo bem sucedido em todos os seus empreendimentos. (II Reis, 18, 1-7)

O portão-santuário de Laquis (Tel Lachish) mede 24,5m x 24,5m e comporta seis salas, três de cada lado. A rua central da cidade passava pelo meio, constrangendo o povo a atravessar o templo idolátra.

A parte norte desse portão-santuário já havia sido desenterrada por arqueólogos britânicos e da Universidade de Tel Aviv.

Na fase atual foi desentulhada a totalidade da porta, a maior de Israel do período do Primeiro Templo construído pelo rei Salomão.

“O tamanho da porta concorda com o conhecimento histórico e arqueológico que possuímos”, disse Sa'ar Ganor, diretor das escavações.

Segundo o relato bíblico, “tudo acontecia” nas portas da cidade de Laquis (Tel Lachish), onde havia sido erigido o templo contrário à Lei de Moisés.

Os personagens de alto nível, como os anciãos da cidade, juízes, governadores, reis e oficiais, sentavam-se nos degraus desse templo, segundo os relatos. E esses degraus foram encontrados, explicou Ganor.

Laquis ou Tel Lachish: restos que permitem identificar as atividades no local
Laquis ou Tel Lachish: restos que permitem identificar as atividades no local
Ze'ev Elkin, ministro do Meio ambiente e proteção cultural de Jerusalém, também membro do Parlamento, sublinhou que a descoberta prova que muitas coisas tidas como “lendas bíblicas” na verdade relatam fatos genuinamente históricos, corroborados pela arqueologia.

Foram também desenterrados restos de objetos, inclusive armas provavelmente destinadas às movimentações militares do Reino de Judá em guerra contra Senaqueribe, rei da Assíria, no final do século VIII a.C., disse a IAA.

“O portão-santuário incluía degraus ordenados como uma escada ascendente rumo a uma grande sala onde havia um altar sobre o qual eram colocadas as oferendas aos deuses”, explicou Ganor.

“Encontramos dois altares de quatro chifres e dezenas de cerâmicas resultantes de lâmpadas, tigelas e estandes nessa sala. No entanto, os chifres do altar foram cortados intencionalmente.

“Isso provavelmente é prova da reforma religiosa do Rei Ezequias, que centralizou o culto religioso em Jerusalém e destruiu os templos construídos fora da capital”, disse Ganor.

Entre os objetos desenterrados, os arqueólogos encontraram uma pedra entalhada para ser latrina num canto do portão. Segundo a IAA, essa peça deve ter tido um significado simbólico.

A Bíblia menciona, em outras partes, o costume de instalar toaletes em locais de culto pagão com a finalidade de execrar as falsas religiões neles veneradas ou adoradas.

O rei Jeú, por exemplo, ordenou a extinção do culto de Baal, deidade impura símbolo do demônio, espalhado na Samaria.

Laquis ou Tel Lachish: latrina simbólica instalada no local para manifestar a execração pelo culto falso ali praticado
Laquis ou Tel Lachish: latrina simbólica instalada no local
para manifestar a execração pelo culto falso ali praticado
O segundo livro dos Reis fala do fato:

25. Terminados os holocaustos [N.T.: dos sacerdotes de Baal], ordenou Jeú aos guardas e aos oficiais: Entrai e feri-os! Não deixeis escapar nenhum deles! E assim caíram todos ao fio da espada. Depois disso, os guardas e oficiais lançaram fora (os cadáveres), entraram no santuário do templo de Baal,

26. tiraram dali o ídolo e o queimaram.

27. Derrubaram a estela de Baal e demoliram o templo, transformando-o em privadas, que ainda hoje existem.

28. Foi assim que Jeú exterminou Baal de Israel. (II Reis, 10: 25-27)

Fatos análogos estão consignados no Antigo Testamento, mas até agora nunca tinham sido achados restos das referidas privadas ou peças semelhantes.

Desta vez, o costume ficou comprovado com objetos de pedra, segundo explicou o IAA.

Testes de laboratório sugerem que a privada de pedra desenterrada jamais foi usada, mas tinha um objetivo simbólico alusivo à baixeza e repugnância do falso culto.

Arqueiros assírios: relevo permite imaginar os soldados de Senaquerib.
Arqueiros assírios: baixo-relevo permite imaginar os soldados de Senaquerib.
A porta-santuário foi selada e posteriormente destruída por Senaqueribe (rei da Assíria de 705 a 681 a.C.), que em 701 tentou infrutiferamente se apoderar de Jerusalém e acabou morrendo em Nínive, na Caldéia.

As escavações trouxeram à luz restos de armas reveladores de combates militares corpo-a-corpo perto da porta, relacionados com a campanha militar de Senaqueribe.

Essa operação guerreira também só era conhecida pelo relato do segundo livro dos Reis, capítulo 18, e pelo segundo livro das Crônicas, capítulo 32, e agora ficou provada empiricamente.

Também no palácio de Senaqueribe, em Nínive, haviam sido recuperados baixos-relevos entalhados nos muros que faziam menção à batalha e à conquista de Laquis (Tel Lachish).

Mais uma vez as descobertas científicas confirmaram a historicidade dos episódios narrados nos Livros Sagrados.



Um comentário:

  1. Bernardino Quimino15 de junho de 2017 21:44

    eu creio que existe alguém superior a nós, o Criador, mas como posso defender a minha fé?

    ResponderExcluir

Obrigado pelo comentário! Escreva sempre. Este blog se reserva o direito de moderação dos comentários de acordo com sua idoneidade e teor. Este blog não faz seus necessariamente os comentários e opiniões dos comentaristas. Não serão publicados comentários que contenham linguagem vulgar ou desrespeitosa.