segunda-feira, 12 de setembro de 2016

As ruínas de Laodiceia e o fim do mundo

"Sou rico e cheio de bem, de nada tenho falta;
e não sabes que és um infeliz,
e miserável, e pobre, e cego, e nu."
Ruínas de Laodicéia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Em meio às ruínas de Laodiceia foi localizado o local da antiga igreja católica, informaram o diário italiano “Avvenire” e o turco Hurriyet.

Laodiceia é uma das sete Igrejas para as quais São João escreve no Apocalipse, último livro da Bíblia.

A cidade de Laodiceia ‒ hoje em território turco ‒ foi inteiramente arruinada e abandonada, mas os escombros que ficam falam de sua grandeza, riqueza e esplendor.

A cidade morna na Fé acabou desaparecendo totalmente.

Tal vez os habitantes dos tempos apostólicos julgassem que essa perspectiva era impensável, entretanto foi prevista no profético livro do Apocalipse.

A descoberta foi confirmada pelo professor Celal Simsek, chefe da missão arqueológica turca que realizou as escavações.

Os restos do edifício sagrado foram identificados com o auxílio de um radar subterrâneo.



Ministro da Cultura turco visita ruínas descobertas
O templo foi construído na época romana e ocupava uma superfície apreciável: perto de 2000 metros quadrados. Ele está em bom estado de conservação.

As escavações devem continuar a fim de que o local possa ser visitado pelos turistas.

Também foi recuperada a pia batismal, que segundo o ministro da cultura turco Ertugrul Gunay è ainda mais bela que a da famosa catedral de Santa Sofia em Istambul.

As pesquisas arqueológicas confirmaram que Laodiceia já existia por volta do século IV a.C. e tornou-se um dos principais centros do cristianismo nascente por volta do ano 40/50 d.C. Ela foi sede episcopal.

A comunidade cristã de Laodiceia é mencionada na Epístola aos Colossenses de São Paulo (2,1; 4, 13ss), além do Apocalipse (3,14 ss).

São João escreveu para a última das famosas sete igrejas do Apocalipse:
São João escreve para a igreja de Laodiceia,
Apocalipse de Bamberg
“E ao anjo da Igreja de Laodiceia escreve: Isto diz o Amém (isto é, aquele que é a mesma verdade), a testemunha fiel e verdadeira que é principio das criaturas de Deus.

“Conheço as tuas obras, que és nem frio nem quente oxalá foras frio ou quente; mas porque és morno, e nem frio nem quente começar-te-ei a vomitar da minha boca, porque dizer: Sou rico e cheio de bem, de nada tenho falta; e não sabes que és um infeliz, e miserável, e pobre, e cego, e nu.

“Aconselho-te, que me compres ouro provado no fogo, para te fazeres rico, e te vestires de roupas brancas (da santidade), e não se descubra a vergonha da tua nudez, e unge os teus olhos com um colírio, para que vejas. Eu, aos que amo repreendo e castigo.

“Tem, pois, zelo, e faz penitência. Eis que estou à porta (do teu coração), e bato. Se alguém ouvir a minha voz, e me abrir a porta, entrarei nele, e cearei com ele e ele comigo.
"Eis que estou à porta, e bato" (3,14 ss)

“Aquele que vencer eu o farei sentar comigo no meu trono, assim como eu mesmo também venci, e me sentei com meu Pai no seu trono. Aquele que tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às Igrejas”. (3,14 ss)

Os escritos bíblicos têm várias profundidades de interpretação.

A primeira ‒ que é o início de conversa ‒ é a interpretação histórica.

Quer dizer, o que é descrito, é uma realidade existente ou que historicamente existiu.

No caso, a recente descoberta arqueológica forneceu mais uma confirmação científica, colateral mas preciosa, da vida e existência dessa cidade desaparecida.

Laodiceia não é um mito, uma saga, uma mera alegoria literária, mística ou profética.

Foi uma cidade, com a riqueza e a vaidade apontadas, com seus habitantes merecedores da increpação divina: “oxalá foras frio ou quente; mas porque és morno, e nem frio nem quente começar-te-ei a vomitar da minha boca” (3,14 ss).

As ruínas achadas estão ai para confirmar a realização histórica dessa profecia.

As grandiosas ruínas confirmam também as palavras do discípulo amado à cidade orgulhosa e relativista: “Sou rico e cheio de bem, de nada tenho falta; e não sabes que és um infeliz, e miserável, e pobre, e cego, e nu” (3,14 ss).

"Porque és morno, e nem frio nem quente
começar-te-ei a vomitar da minha boca" (3,14 ss). Ruínas de Laodiceia
A cidade rica ficou nua: mais nada a protegeu da intempérie, as ruínas estão a céu aberto.

Num segundo passo a interpretação visa o significado simbólico do trecho bíblico.

No entender de grandes intérpretes das Escrituras como os famosíssimos Pe. Cornélio a Lápide SJ e Pe. Bartolomeu Holzhauser, as sete igrejas representam as épocas em que se divide a História a partir da Redenção até o fim do mundo.

A Igreja de Laodiceia é a última das sete e as palavras referem-se ao estado da Igreja e da humanidade na última era histórica.

Quer dizer, no fim do mundo quando Nosso Senhor Jesus Cristo voltará em pompa e majestade a julgar aos vivos e aos mortos.

Ruínas de Laodiceia
O fato de Jesus Cristo vomitar a humanidade do fim do mundo não é tanto por ignomínias dessa época conclusiva dos tempos.

Mas aparece como causada pela mediocridade e pela indiferença, quer dizer pelo relativismo geral instalado nela: “porque és morno, e nem frio nem quente começar-te-ei a vomitar da minha boca”.

Simultaneamente, o texto de São João fala de uma coluna que assegurará a permanência da Igreja.

É, portanto, um resto de fiéis à Igreja que Nosso Senhor não vomitará.

Podemos supor que sejam aqueles fiéis que, segundo diversas e avalizadas interpretações não vão morrer na conflagração final.

E uma referência também aos fiéis que, em em todas as épocas, e malgrado as piores crises, se mantêm coerentes com a solidez inabalável da Fé.

O Amém com que começa o vaticínio divinamente inspirado parece também significar que chegou o fim da História.

São João lé o Livro. Apocalipse, Bodleian Library
A Laodiceia Deus pediu penitência:

“Tem, pois, zelo, e faz penitência. Eis que estou à porta (do teu coração), e bato. Se alguém ouvir a minha voz, e me abrir a porta, entrarei nele, e cearei com ele e ele comigo“ (3,14 ss).

Em La Salette, em Lourdes, em Fátima, Nossa Senhora veio também a nos pedir penitência, mas prometeu uma restauração futura da Igreja.

Portanto, essas intervenções da Mãe de Deus não apontam para o fim do mundo em nossos dias, mas estabelecem uma certa analogia de defeitos morais entre uma e outra época.

Essas aparições sugerem que o nosso tempo não é o prefigurado pela igreja de Laodiceia.

Porém, as palavras de Nossa Senhora contêm analogias com ele.

E muitas coisas dirigidas a essa igreja merecem ser dignas de uma meditação e de uma aplicação séria à nossa época.


7 comentários:

  1. Grata pela informação - sempre atenta aos sinais.

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  2. AMADOS AINDA HOJE TEMOS IGREJAS SEMELHANTES A DE LAODICEIA,LIDERANÇAS DE IGREJAS QUE SO SE PREOCUPAM EM ENCHER A IGREJA E NAO SE PREOCUPAMEM DOUTRINAR E DISCIPULAR IGREJA,NO TOCANTE A SANTIFICACAO E A PRATICA DO EVANGELHO PURO E GENUINO.VEMOS MUITAS XEROX DO PAGANISMO E DE MODISMOS RELIGIOSOS,COISAS ORIUNDAS DO PAGANISMO E DE CULTURAS IMPORTADAS!!!!!!!!!!!!!!!.


    MARCIO DE MEDEIROS-PROF. DO SEMINARIO FILADELFIA

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  3. Já vivemos a cultura dos " valores líquidos " e relativismos morais numa época onde não se viu antes tal afastamento do temor e amor a Deus. Devemos nos converter de maneira profunda e verdadeira , viver Cristo dentro de nós, para que não terminemos na região onde haverá choro e ranger de dentes , onde os modismos e conveniências acabam por colocar a todos que não se inundam pelo Espírito .

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  4. Nossa eu conheço essa parte dos povos ranger e chorar de dor porque eu já li,na campanha dos Devotos de Fátima,eum tive pavor quando li essa passagem apocalíptica.

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  5. Eis que venho em breve...

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  6. A penitência e a oração, são meios importantes de comunicação com DEUS. Que lindas descobertas!

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